Marca da insistência

Sinaleira será instalada no cruzamento das vias Protásio Alves e Carazinho, em Porto Alegre

Morador batalhou quase três anos por colocação do semáforo no bairro Petrópolis

07/03/2014 | 05h06
Sinaleira será instalada no cruzamento das vias Protásio Alves e Carazinho, em Porto Alegre Lauro Alves/Agencia RBS
O representante Roberto Mastrangelo Coelho fez os primeiros contatos com a EPTC em 2011 Foto: Lauro Alves / Agencia RBS

A insistência de um cidadão pode sim tornar a metrópole um pouco mais segura. Depois de quase três anos de espera, uma sinaleira será finalmente instalada no cruzamento entre a Avenida Protásio Alves e a Rua Carazinho, no bairro Petrópolis. Um simples semáforo pode até parecer pouco, mas ajuda a reduzir a principal causa de acidentes fatais de trânsito na Capital: os atropelamentos respondem por 41,53% de todas as ocorrências com morte nas ruas de Porto Alegre em 2013.

O pedido por mais segurança para os pedestres que passam por ali começou no fim de 2010, quando um estudante teve um familiar atropelado no local e iniciou uma mobilização entre os comerciantes da região. Na época, eles chegaram a encaminhar um abaixo-assinado à Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC).

— Essa via é bem perigosa. Pessoas de idade atravessam aqui, e a sinaleira mais próxima fica a mais de 100 metros — diz Paulo Renato Tavares, gerente do supermercado que fica na esquina, e um dos últimos a assinar a petição.

No ano seguinte, o representante comercial Roberto Mastrangelo Coelho iniciou uma série de contatos com a EPTC para insistir no pedido. Suas expectativas foram frustradas quando o órgão decidiu que, embora necessária, a instalação só ocorreria depois de concluídas as obras de implantação do BRT. Era novembro de 2012. Quatro meses depois, um atropelamento fatal: no dia 1° de março de 2013, um funcionário de um dos bancos do entorno, de 31 anos, morreu no local. Outras duas pessoas também foram atropeladas naquele mesmo dia.

— Veja a morte desse rapaz. Se tivessem tomado uma providência, talvez não teria ocorrido. Será que o cronograma do BRT era mais importante que a decisão de colocar um semáforo provisório nesse local? — questiona Coelho, que insistiu na solicitação.

De acordo com Carla Meinecke, arquiteta da EPTC, o projeto original do BRT foi alterado para contemplar a instalação da sinaleira, já que era preciso alargar o canteiro central da via para que os pedestres pudessem esperar ali caso tivessem de aguardar pela abertura do sinal.

— Em algumas situações, não é só colocar o semáforo. A gente tem de fazer a adequação da geometria. A travessia de pedestres no trecho da Protásio tem dois estágios, então tem de ter uma área de acumulação de pessoas entre um espaço e outro. O que impedia de colocar até o momento era a configuração geométrica da ponta da estação, que vai afunilando — afirma.

Roberto aguarda agora que a previsão da EPTC, de que a sinaleira entre em funcionamento ainda neste mês, seja cumprida. Mas lamenta a espera tão longa para resolução de um problema aparentemente simples:

— Acho que isso deveria ser agilizado, considerando que ali é um ponto nevrálgico. É como se fosse uma bomba pronta para explodir. Quanto mais tempo esperar, maior a probabilidade de acontecer de novo.

COMO SOLICITAR

Para reivindicar a instalação de sinaleiras, na Capital, os pedidos podem ser feitos por meio de três canais

— Pelo telefone 156, das 7h às 23h.

— Pela internet, pelo e-mail eptc@eptc.prefpoa.com.br ou pelo formulário eletrônico Fala Porto Alegre, no site da prefeitura (www.portoalegre.rs.gov.br).

— Pessoalmente, no serviço de Atendimento ao Cidadão da EPTC - Av. Erico Verissimo, 100, de segunda a sexta-feira, das 8h30min às 17h.

— O número do protocolo é a garantia do cidadão de que a solicitação terá um fluxo de resolução dentro dos canais da Prefeitura. Por isso, solicite ao atendente o número do protocolo do seu atendimento ou anote o número fornecido ao final do registro no formulário eletrônico.

— A EPTC faz então uma avaliação técnica que analisa aspectos como condições de travessia, visibilidade, segurança, topografia e volume de pedestres. Essa contagem do número de pessoas que atravessam no local só pode ser feita em períodos considerados típicos: durante o ano letivo e em dias úteis de maior movimento (entre terça e quinta-feira). Época de férias escolares, feriadão e chuva alteram substancialmente esse número. Por isso, se a solicitação chega em novembro, por exemplo, ela só será analisada em março. Áreas com escolas ou unidades de saúde têm prioridade na avaliação.

— Se o pedido for aprovado, são mais duas semanas para elaboração do projeto. Depois, ele é encaminhado para a área de implantação. Em 2014, a EPTC recebeu 17 solicitações.

 
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