RBS Brasília

Migué presidencial

Se, ao se defender das suspeitas levantadas pela Odebrecht, Temer repetir o tom de sábado sobre o impeachment, será difícil acreditar em suas palavras.

Por: Guilherme Mazui / RBS Brasília
17/04/2017 - 03h00min | Atualizada em 17/04/2017 - 03h00min

Há um ano, em 17 de abril, a Câmara autorizou o Senado a prosseguir com o impeachment de Dilma Rousseff graças ao empenho do então vice-presidente Michel Temer e de seus principais aliados, atuais ministros do governo do PMDB. Passados 12 meses, com popularidade irrisória e atingido pela Lava-Jato, Temer tentou aplicar o popular migué em entrevista à Band no sábado. "Jamais militei para derrubar a presidente", disse. Nem o mais ingênuo dos ingênuos poderia acreditar. Temer tentou colocar o impeachment na conta de Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A queda de Dilma teria sido obra do ex-presidente da Câmara, irritado porque o PT lhe negou os votos salvadores no Conselho de Ética. Temer contou a história pela metade. Não citou que já tinha plano de governo e discurso de posse prontos. Não citou que mobilizou tropa de choque que fazia listas para buscar e tabular votos e que o Jaburu recebeu uma maratona de reuniões. O vice costurava sua maioria de um lado, enquanto Lula corria atrás do prejuízo em um hotel de Brasília. Efetivado presidente, em abril de 2017 o peemedebista ainda não colocou o país nos trilhos. A sangria da Lava-Jato aumentou e ele só não é investigado em razão da imunidade do cargo. Por ora, nega tudo. Se, ao se defender das suspeitas levantadas pela Odebrecht, Temer repetir o tom de sábado sobre o impeachment, será difícil acreditar em suas palavras.

POIS É

O desempenho opaco do governo Temer e a presença da cúpula do PMDB na Lava-Jato começam a mudar a opinião de muitos deputados da sigla. Há quem pense que o impeachment foi um "mau negócio". O ideal teria sido deixar Dilma impopular até o final do mandato.

SERÁ?

A Câmara tentará votar amanhã, mais uma vez, a recuperação fiscal dos Estados. O projeto está encantado. Prisões de conselheiros do TCE do Rio e a lista de Fachin já adiaram a votação. O que virá desta vez?

NOMES 

O Muda PT sondou, sem sucesso, o ex-governador Tarso Genro para disputar a presidência do partido. Candidato do grupo, Lindbergh Farias (RJ) é alvo de inquérito na lista de Fachin. Sua adversária Gleisi Hoffmann (PR), bancada por Lula, é ré na Lava-Jato.

Colaborou Silvana Pires

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