Eleições 2018

João Doria: "Não concorro contra Geraldo Alckmin"

A declaração é do prefeito João Doria (PSDB-SP) em entrevista exclusiva à coluna

11/08/2017 - 20h39min | Atualizada em 11/08/2017 - 20h53min
João Doria: "Não concorro contra Geraldo Alckmin" Divulgação/Divulgação
Foto: Divulgação / Divulgação  

João Doria, o midiático prefeito de São Paulo, começou a semana atingido por um ovo - alvo de protesto em Salvador - e terminou disputado por partidos que desejam a sua filiação para 2018. Cortejado por Temer para migrar para o PMDB, ele afirmou que pretende ficar no PSDB, onde permanece na lista dos presidenciáveis. Em conversa com a coluna, ele afirmou, no entanto, que contra o governador Geraldo Alckmin ele não concorre às prévias "sob hipótese alguma". Sobre o episódio do ovo ele já afirmou "a mim, não intimidam", e reforça o papel de oposição ao PT.

A seguir, a entrevista:

O presidente Temer o convidou para ingressar no PMDB, mas o senhor já disse que fica no PSDB. O senhor poderá mudar de ideia se for para concorrer à presidência pelo PMDB?
Fico sempre muito feliz quando há reconhecimento e portas se abrem em outros partidos, mas a nossa posição nesse momento é permanecer no PSDB, partido no qual eu sou filiado desde 2001.

Ser candidato à presidência da Republica em 2018 faz parte dos seus planos?
Faz parte dos meus planos ser prefeito de São Paulo. Está no meu horizonte ser prefeito de São Paulo, fazendo aquilo para o qual fui eleito, prefeitar.

Na sua opinião quem seria o candidato ideal do PSDB em 2018? 
Aquele que foi indicado pelo partido ou o vencedor das prévias.

O senhor concorreria às prévias?
Contra Geraldo Alckmin, não concorro sob nenhuma hipótese. 

Geraldo Alckmin está no Rio Grande do Sul, o senhor também vai ao Estado? 
No final do mês de setembro deverei ir a Porto Alegre. É uma agenda empresarial, não é política. Já estive em Porto Alegre no início deste ano, no Fórum da Liberdade, que também não era uma agenda política. 

O senhor defende que o PSDB desembarque agora do governo Temer ou somente às vésperas das eleições?
Sou do grupo dos que entende que o PSDB não deve ter visão partidária, deve compreender a dimensão do Brasil. Precisamos trabalhar para estabilizar a política e incentivar a economia. Pensar menos no interesse partidário e mais no interesse da população. Permanecer apoiando as reformas e a política econômica.

Com os ministros no governo? 

Com os ministros no governo. Os ministros do PSDB vêm realizando um trabalho competente, sério e dedicado. Não há razão para os ministros que estão atuando com eficiência, com transparência e com denodo sejam condenados a sair do governo. Por qual razão? 

Mas a bancada tucana rachou na votação da denúncia contra Temer. Qual o recado?
A liberdade que o PSDB sempre deu aos seus parlamentares de terem visões que não necessariamente sejam iguais e nem obrigatórias. Historicamente isso já ocorreu, não foi um fato apenas desse momento, dessa votação. Já ocorreu anteriormente. 

O governo vai anunciar o aumento do rombo no orçamento. Isso pode comprometer a credibilidade da equipe econômica?
Não. Eu tenho confiança na gestão econômica do ministro Henrique Meirelles (Fazenda) e sei que ele saberá conduzir os próximos passos, mesmo diante de um aperto fiscal, tendo em vista que a arrecadação de impostos no plano federal não tem apresentado crescimento. Agora é hora de continuar reduzindo despesas, manter rédeas curtas, fazer um exercício de eficiência de gestão e evitar aumento de impostos. 

O senhor fez uma entrevista com Eduardo Suplicy (PT) no seu programa nas redes sociais e ele pediu que o senhor pare de xingar a ex-presidente Dilma. O senhor vai atendê-lo?
A presidente Dilma Rousseff não pegou leve com os brasileiros, pegou pesado. Contribuiu para ampliar o número de 14 milhões de desempregados no país, ou seja, ela ampliou o que já havia de ruim do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Continuarei com as críticas, mas não vou mais chamar a ex-presidente Dilma de anta. As críticas são merecidas.

A oposição lhe acusa de ser um homem midiático e o desafia a apresentar os resultados da prefeitura. Como o senhor responde?
Ação, atitude e conquista. À oposição dos partidos de esquerda, especialmente ao PT, eu ofereço a vitória que tive em primeiro turno na eleição de São Paulo com 53% dos votos. E eu não sou orgânico, não sou da política, aliás não sou político, estou na política. E àqueles que questionam a nossa gestão, nós somos bem avaliados e tivemos a melhor avaliação de um prefeito nos últimos 30 anos. Quando às redes sociais, Lula usa, Gleisi Hoffmann usa, Dilma usa, por que eu não deveria usar?

A situação do senador Aécio Neves (investigado no STF) não constrange o senhor, que tanto critica a corrupção? 
O ideal seria que o senador Aécio Neves (PSDB-MG) pudesse fazer a sua defesa com toda a legitimidade que possui e com a segurança de que alcançará a sua inocência sem estar à frente do PSDB. Mas respeito a trajetória e a biografia do senador Aécio e tenho certeza que ele, neste momento de reflexão, irá encontrar a melhor alternativa para seguir.  

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