No que depender da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag-RS), o Grito da Terra, previsto para os dias 17, 18 e 19 de maio, deverá ficar preso na garganta. Deverá ser solto em outro momento. É que diante do contexto político, com a possibilidade de afastamento da presidente Dilma Rousseff ser aprovado dias antes, a entidade sugeriu que o tradicional ato seja adiado. A avaliação do presidente da Fetag-RS, Carlos Joel da Silva, é de que a mensagem poderia se perder na transição.
– É uma proposta minha também.
A gente acha que não tem conjuntura política para colocar 10 mil pessoas na rua para o Grito. As federações irão, agora, avaliar – afirma Alberto Broch, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).
Uma definição sobre a manutenção ou não da mobilização sai nesta sexta. Nesta quinta, a entidade reuniu-se com Dilma e com o ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, para entregar a pauta do Grito da Terra. Na ocasião, também reforçou os pedidos para o pacote do Plano Safra, que será anunciado na terça-feira.
A Contag busca ampliação dos recursos, para R$ 30 bilhões e a manutenção do juro. Aliás, ao falar sobre o pacote, a presidente se mostrou simpática às reivindicações, mas reforçou que a costura final do plano precisa ser discutida com a equipe do governo.
No encontro, foram apresentados outras pendências que precisam ser resolvidas "o quanto antes".
– É o caso a regulamentação da ampliação do teto para o crédito fundiário – acrescenta Broch.
A necessidade de prorrogação do prazo para preenchimento do Cadastro Ambiental Rural (CAR), também não passou batida. Foi sugerido que o governo editasse uma medida provisória ou outro instrumento legal capaz de ampliar a janela – há quem cogite que isso possa ocorrer no dia do anúncio do Plano Safra. O presidente da Contag saiu convicto de que a prorrogação ocorrerá.
Mas, por enquanto, o prazo que segue valendo é o do dia 5 de maio.