Agricultura

Terreno fértil para o mercado de fertilizantes no segundo semestre

Tendência é de alta nos negócios, por conta da projeção de aumento da área de soja

17/07/2017 - 07h01min

O segundo semestre é, tradicionalmente, o período de maior demanda de fertilizantes no país e no Estado. Neste ano, a tendência é de alta nos negócios, por conta da projeção de aumento da área de soja. Analistas avaliam, no entanto, que a adubação por hectare possa registrar pequena queda, por conta das relações de troca (número de sacas necessárias para adquirir uma tonelada de adubo) menos atrativas do que no ano passado. 

– A alta da soja em Chicago e a valorização do real favorecem a compra de fertilizantes. Em julho, as aquisições provavelmente serão boas por conta disso – explica Fábio Rezende, analista de mercado da INTL FCStone.

Agosto, setembro e outubro costumam ser os meses de pico da procura por fertilizantes para áreas de soja. Números divulgados nesta semana referentes ao primeiro semestre mostram pequeno recuo, quase estabilidade, nas entregas ao mercado no país e também queda no volume comercializado no Estado.

Rezende explica que o mercado nacional estava aquecido nos dois primeiros meses por conta da safrinha – semeada no Centro-Oeste e no Sudeste. Houve crescimento da área e os preços do milho eram melhores do que agora.

A partir de abril, houve desaceleração, mas ainda assim a demanda se manteve relativamente boa. Depois disso, o cenário se inverteu, com a procura pelo produto começando a diminuir. 

A primeira explicação vem do preço do fertilizante, com leve alta no mercado interno. Ao mesmo tempo, as commodities estavam com preços em queda, o que deixou a relação de troca menos atrativa.

– O atraso na comercialização dos grãos da safra atual também acabou afetando um pouco as compras. O produtor não estava tão capitalizado – afirma o analista.

O economista-chefe do Sistema Farsul, Antônio da Luz, concorda. A baixa rentabilidade deixou o agricultor mais descapitalizado:

– Existe movimento maior de compras quando os financiamentos de custeio começam a ser liberados.

O Estado foi um dos que mais teve queda nos negócios no primeiro semestre. Além dos fatores acima mencionados, pesou também o fato de os gaúchos não terem segunda safra. E, no trigo, o desestímulo fez muitos produtores reduzirem
o pacote tecnológico nas lavouras.

 
 
 
 
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