Paralelo 30

Grupo Expresso 25 celebra sua longa trajetória

Coral foi criado por jovens a partir de reuniões dançantes nos anos 1960 

Por: Juarez Fonseca
21/04/2017 - 08h00min | Atualizada em 21/04/2017 - 08h00min
Grupo Expresso 25 celebra sua longa trajetória Fernando Gomes/Divulgação
Expresso 25 ganhou livro e DVD sobre sua história Foto: Fernando Gomes / Divulgação  

Mesmo quem nunca cantou em um coral, não deixará de se emocionar com o DVD Uma Viagem de 50 Anos – Do Coral Misto 25 de Julho de Porto Alegre ao Expresso 25, que acaba de ser lançado. O documentário dirigido por Gustavo Türck pode ser visto como uma aula de companheirismo, determinação, alegria e superação, tudo sublinhado pela música que projetou o grupo internacionalmente. E o conteúdo dos 95 minutos do DVD é ampliado em muito pelas 300 páginas do livro 50 Anos Expresso 25 – Uma História do Canto Coral no Brasil, de Angélica Boff, lançado simultaneamente. Boa parte da produção de ambos foi compartilhada. No pano de fundo inicial está a história dos descendentes de imigrantes alemães que se fixavam em Porto Alegre em meados do século 20. Sobrenomes como Schneider, Bersch, Ritter, Süffert, Mallmann, Körbes, Kohlmann, Pulz, Frölich e Follmann aparecem a todo momento, muitas vezes identificando pais, filhos e até netos.

– Jamais poderíamos imaginar que nosso coral chegaria aos 50 anos; era uma coisa de juventude! – espanta-se André Pulz, um dos personagens do documentário, que integrou o grupo durante mais de 10 anos.

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Ele fazia parte da Ala Moça do Centro Cultural 25 de Julho, fundado em 1951 e que deve seu nome à data oficial da chegada dos alemães ao Rio Grande do Sul, em 1824. Aos domingos, os jovens se encontravam para animadas reuniões dançantes e um dia surgiu a ideia de criarem um coral misto (já havia um coral masculino, adulto) e um grupo de danças.

– Eu era um guri xucro do interior, comecei ali a me socializar – lembra Sérgio Hickmann, único remanescente ativo da primeira formação do coral que segue cantando no Expresso 25.

Ele, Pulz e outros 12 jovens criaram em 1964 o Coral Misto 25 de Julho, que no ano seguinte passou a ser dirigido pelo regente Aloisius Staub e logo venceu o 1º Festival de Coros do RS, abrindo estrada para a longa trajetória.

O livro da historiadora Angélica Boff identifica três fases no grupo, que desde o início destacou-se pela personalidade própria. A primeira, "Um Coro de Jovens (1964-1976)", é a fixadora da imagem do Coral regido por Staub e inspirado nos grupos norte-americanos Sing Out, música vibrante, com coreografia. São dessa época dois LPs e duas turnês à Europa. Recebendo outras etnias, a segunda fase, "Um Coral Maduro e Erudito (1977-1995)", com direção de Nestor Wennholz e depois Manfredo Schmiedt, foi marcante na cena erudita porto-alegrense. Gravou mais três discos e fez mais duas turnês europeias. E a terceira, "A Chegada de um Trem, o Expresso 25 (1996-1914)", registra o trabalho com o maestro e arranjador uruguaio Pablo Trindade, que revolucionou a imagem do grupo adotando a MPB como ponte para performances ao mesmo tempo comunicativas e sofisticadas, teatrais, com três discos, quatro turnês europeias e shows com artistas como Hermeto Pascoal, Celso Viáfora e Guinga.

No DVD, toda essa história, rica em imagens recentes e filmes do acervo do grupo e da TVE, tem a condução de Olavo Frölich, que cantou no Coral de 1975 a 2010, convivendo com todas as gerações. Simpático, ele conversa com mais de 40 pessoas e suas memórias. "A gente não fez pra fazer história, fez pra fazer bem feito", diz alguém.

– Passei no 25 de Julho os melhores momentos da adolescência ao início da idade adulta – depõe o jornalista Antônio Hohlfeldt, que, como integrante do Coral, registrou para o Correio do Povo a primeira excursão à Europa, em 1971. Livro e DVD mostram os tradicionais encontros de confraternização entre as gerações de cantores (20 anos, 30 anos etc.), nos quais, depois dos abraços, da troca de novidades, das comidas e do chope, tudo termina em um grande coral, cerca de 150 vozes resumindo décadas em canções folclóricas alemãs e gaúchas, música clássica, MPB. E o futuro faz parte da história: o Expresso 25 tem oficinas de canto para crianças e adolescentes.

UMA VIAGEM DE 50 ANOS
De Gustavo Turck, Expresso 25 e Coletivo Catarse
DVD, Pró-Cultura RS, R$ 60, à venda no Centro Cultural 25 de Julho, infos (51) 3207-8875.

UMA HISTÓRIA DO CANTO CORAL NO BRASIL
De Angelica BoffLivro, 300 páginas ilustradas, Ministério da Cultura, R$ 100, à venda no Centro Cultural 25 de Julho, infos (51) 3207-8875.

ATENA

OUTRAS CANÇÕES DE DESVIO
De Flávio Alves
Um dos sócios do selo fonográfico paulista Sete Sóis, o poeta Flávio Alves tinha pronto um livro de poemas. Seu parceiro Kleber Albuquerque leu-os e propôs distribuir 11 deles a compositores de diferentes Estados. O resultado é Outras Canções de Desvio, primeiro disco de Flávio, que pode ser apontado como uma revelação de letrista. São seis parcerias com Kleber, as outras com Du Gomide, Carlos Careqa, Gabriel Schwartz, Assis Medeiros, Fred Martins e o porto-alegrense Richard Serraria. Para interpretá-las, foram convidados alguns desses compositores e Aline Nascimento, Renato Braz, Ceumar, Daniel Groove e Elaine Guimarães. Processados quase que só pelo multi-instrumentista Rovilson Pascoal, os arranjos dão grande unidade estética à diversidade rítmica das composições - tem choro, samba-canção, reggae, marcha-rancho, bolero...
Sete Sóis/Tratore, R$ 28. Disponível nas plataformas digitais

I CHOOSE THE BLUES
De Leo Maier
O grande nome do blues catarinense é Leo Maier, de Blumenau. Tinha 16 anos quando começou a integrar bandas de rock. Mas logo se apaixonou pelo blues e se aprofundou ouvindo Muddy Waters, Howlin¿ Wolf, Freddie King, T-Bone Walker e outras lendas. Em 2010, montou um trio, que tocou com nomes nacionais e internacionais de passagem pela cidade. Em 2015/16 gravou dois EPs e agora chega o primeiro álbum, mesclando estilos como o jump, o blues de Chicago e o blues-rock. São 11 faixas, cinco cantadas, com letras em inglês, e seis instrumentais. Além de exímio na guitarra, Maier tem uma voz marcante. Entre as instrumentais, homenagens a dois ídolos: Blues for Mr. Jody Williams e We Miss The King (BB King Tribute). Oito músicos passaram pelo estúdio, começando com o coprodutor e guitarrista Cristiano Ferreira, de Florianópolis. Fundação Cultural de Blumenau, R$ 20, à venda em www.blulivro.com.br

O MUNDO
De Danadões

É de Tramandaí o duo Danadões, formado por Robson Almeida e Marcelo Astiazara. Com um estilo próprio, que mescla música e teatro, eles vêm conquistando cada vez mais público, principalmente entre as crianças. A música, que celebra a amizade, a alegria e o lúdico, é uma combinação de rock¿n¿roll e pop dos anos 1970 com ares da Jovem Guarda. Robson (violões, guitarras, violino) e Marcelo (violões, baixo, percussão) cantam muito bem. Além deles, este segundo álbum (o primeiro é de 2013) tem a bateria do coprodutor Thiago Heinrich. Entre os convidados especiais, Kleiton & Kledir cantam a sua Mágico Estrambólico. De outros autores, o duo também gravou Nem Todo Dia é Igual (original da banda Maria do Relento) e Long Plays (da banda Pública). As demais são deles, como Adoro te Encontrar, Tá Tri!, Teste Vocacional e O Mundo (esta com um coro de crianças).
Independente, R$ 30, à venda em www.danadoes.com.br

 
 
 
 
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