Bela ideia

Vídeo minuto de cineasta brasileiro aproxima drama dos refugiados

As imagens mostram pessoas na cidade baiana de Jequié olhando fotos devastadoras de países como a Síria. Sensação é de unidade entre pessoas

02/06/2016 - 11h42min | Atualizada em 02/06/2016 - 11h51min


Foto: GABRIEL BOUYS / AFP

A coluna traz aqui um belo, forte e inteligente vídeo do documentarista baiano Dado Galvão. O que fez o Dado? Pôs fotos com lembranças de refugiados nas mãos de pessoas que vivem em Jequié. A sensação é de que são os próprios refugiados olhando nostálgicos imagens suas. Só que não. A ideia é se integrar ao programa "Nobody Left Outside" (Ninguém fica de fora, tradução livre). E a sacada é ótima. O "vídeo minuto", brevíssimo, mostra a realidade de Jequié aos campos de refugiados do conflito sírio. Une o mundo na mesma dor humana.

Aqui, o vídeo:


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Um enorme déficit nos fundos destinados para abrigos de refugiados está afetando seriamente os esforços para combater a maior crise de deslocamento global desde a Segunda Guerra Mundial, adverte o Acnur, agência da ONU para refugiados. No lançamento da campanha global "Nobody Left Outside" (Ninguém fica de fora, tradução livre), o Acnur disse que os esforços para oferecer abrigo adequado para os refugiados sob seus cuidados estavam sendo afetados um déficit de meio bilhão de dólares. A campanha Nobody left outside solicita a contribuição de fundos do setor privado para viabilizar soluções de abrigo para 2 milhões de refugiados. A campanha destina-se a indivíduos, empresas, fundações e filantropos em todo o mundo.

O deslocamento forçado, em sua maior parte decorrente de guerra e conflito, aumentou consideravelmente na última década, em grande parte resultado da crise na Síria, mas também devido a uma proliferação de novas situações de deslocamento e os antigos casos não resolvidos. Cerca de 60 milhões de pessoas estão hoje deslocadas à força, quase 20 milhões delas são refugiados que foram obrigados a fugir e atravessar fronteiras internacionais. As demais pessoas deslocadas estão dentro de seus próprios países. O financiamento da ajuda humanitária não está conseguindo manter o ritmo.

Um abrigo — seja uma tenda, uma estrutura improvisada ou uma casa — é o ponto de partida básico para que os refugiados sobrevivam e possam se recuperar dos efeitos físicos e mentais da violência e perseguição que sofreram. No entanto, em todo o mundo, milhões de pessoas estão lutando para sobreviver em habitações inadequadas e muitas vezes perigosas, quase incapazes de pagar o aluguel, e colocando suas vidas, dignidade e futuro em risco.

— O abrigo é fundamental para que refugiados possam sobreviver e se recuperar, e deve ser considerado direito humano inegociável — disse Filippo Grandi, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados. — À medida que enfrentamos deslocamento em todo o mundo em um nível nunca visto desde a Segunda Guerra Mundial, nenhum refugiado deve ser deixado de fora.

A campanha visa arrecadar fundos para o setor privado para construir ou melhorar abrigo para 2 milhões de refugiados em 2018, no valor equivalente a quase um a cada oito dos 15,1 milhões de pessoas sob mandato do Acnur em meados de 2015. A UNRWA, a Agência da ONU de Assistência aos Refugiados da Palestina, cuida dos refugiados palestinos restantes. Sem o aumento no financiamento e apoio global, milhões de pessoas que fogem da guerra e da perseguição não terão acesso a moradia ou terão moradia inadequada em países como o Líbano, México e Tanzânia. Não ter um lugar seguro para comer, dormir, estudar, armazenar pertences e ter privacidade, traz consequências prejudiciais para a saúde e bem-estar desta população.

Oferecer abrigo em uma escala global é um empreendimento logístico enorme. Todos os anos, o ACNUR adquire 70 mil tendas e mais de 2 milhões de lonas, que se tornaram símbolo da resposta às emergências humanitárias.

Entretanto, como o Acnur continua enfrentando uma enorme necessidade de oferecer abrigo, porém, com limitado financiamento disponível, as operações muitas vezes enfrentam a difícil decisão de priorizar abrigo de emergência para o número máximo de pessoas de interesse, ao invés de investir em soluções mais duradouras e sustentáveis. Fora dos campos, os refugiados contam com o apoio do Acnur para encontrar alojamento e pagar o aluguel vivendo em cidades em dezenas de países que fazem fronteira com zonas de conflito.

Estima-se que essas operações custem US$ 724 milhões de dólares em 2016. No entanto, apenas 158 milhões estão disponíveis atualmente, um déficit que ameaça deixar milhões de homens, mulheres e crianças sem abrigo adequado e lutando para reconstruir suas vidas.

A campanha ¿Nobody Left Outside¿ está pedindo aos doadores particulares e às empresas um maior engajamento. O setor privado é uma fonte de doadores cada vez mais importante para o ACNUR e, em 2015, contribuiu com mais de 8% dos fundos globais da organização.

— O setor privado desempenha um papel importante com o seu know how, vigor e dinheiro, o que permite agir com solidariedade nas situações refugiados que passaram por guerra e perseguição necessitam de abrigo — disse o Alto Comissário Grandi, acrescentando que o fornecimento de abrigo adequado pode aliviar as tensões entre refugiados e comunidades de acolhimento. — Temos de encontrar melhores formas para os refugiados serem pacificamente integrados em nossas comunidades de acolhimento — disse Grandi. — Abrigo adequado para todos é fundamental para a coesão social. Boas casas geram bons vizinhos.

As regiões que mais necessitam assistência são a África subsaariana (US$ 255 milhões necessários, US$ 48 milhões disponíveis) e no Oriente Médio e Norte da África (US$ 373 milhões necessários, US$ 91 milhões disponíveis). Ásia exige US$ 59 milhões, com apenas US$ 8 milhões disponíveis, e a Europa também requer significativamente mais ajuda (US$ 36 milhões necessários, US$ 10 milhões disponíveis), uma vez que enfrenta um fluxo contínuo de refugiados.

 
 
 
 
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