Caminhos opostos

Por que o desemprego diminui em Porto Alegre, mas cresce na Região Metropolitana

Dados mostram que em janeiro taxa chegou a 8% na Capital e a 12,1% na Grande Porto Alegre

22/02/2017 - 19h24min | Atualizada em 22/02/2017 - 19h28min

Nos últimos quatro meses, o Rio Grande do Sul viveu uma situação curiosa: o desemprego diminuiu em Porto Alegre, mas continuou crescendo nos demais municípios da Região Metropolitana. Dados divulgados pela Fundação de Economia e Estatística (FEE) mostram que em janeiro a taxa chegou a 8% na Capital e a 12,1% na Grande Porto Alegre. Em outubro passado, os mesmos índices estavam em 9,8% e 11,4%. Vêm trilhando caminhos opostos.

A explicação não é o número de postos de trabalho abertos na Capital nesse período, mas o perfil dos moradores dessas cidades. Com maior concentração de pessoas acima de 60 anos e de funcionários públicos, além de renda média maior, Porto Alegre tem visto sua população economicamente ativa, aquela disposta a procurar emprego, diminuir a cada mês. 

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De um lado, jovens de famílias um pouco mais abastadas podem passar mais tempo apenas estudando, sem a necessidade de largar a escola ou a faculdade para procurar uma vaga. De outro, as discussões de reforma da Previdência estimulam aposentadorias e tiram profissionais do mercado de trabalho. 

Na Região Metropolitana, o movimento é oposto. O maior percentual de jovens entre 16 e 24 anos, com renda familiar menor, empurra pessoas para o mercado.

Mas ainda é cedo para falar em tendência, segundo a pesquisadora da FEE, Iracema Castelo Branco. Isso porque, segundo a especialista, ainda não há sinais claros de que a população economicamente ativa da Capital vá continuar diminuindo ou que haverá grande crescimento econômico.

Em 2015, quando a recessão atingiu com mais força o mercado de trabalho, até Porto Alegre viu crescer a massa de trabalhadores procurando vagas. Além do aumento de demissões, o desemprego de pais e mães de família também obrigou os filhos a irem em busca de trabalho. A taxa de desemprego na Capital pulou de 5,2% para 9,6% naquele ano.

 – Em 2016, houve certo arrefecimento e a população ativa voltou a cair, puxando o índice para 8%, mas ainda não vimos uma retomada forte da economia que garanta sustentabilidade do cenário – diz.

Os primeiros sinais de crescimento econômico, alerta Iracema, podem até acabar pressionando a taxa de desemprego para cima em 2017. A melhora nos índices pode ser um incentivo para pessoas que estavam desalentadas em casa saiam em busca de um emprego.

Leia outras informações da coluna de Marta Sfredo

*A colunista Marta Sfredo está em férias 

 
 
 
 
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