Crise política

Donos da JBS, Joesley e Wesley nunca foram mortadelas nem coxinhas 

Empresários que conhecem bem os irmãos asseguram que a aproximação com o governo petista foi pragmática, para usar uma palavra educada

19/05/2017 - 05h00min | Atualizada em 19/05/2017 - 05h00min

O fato de a delação que atinge Michel Temer vir dos irmãos Joesley e Wesley Batista provocou especulações sobre armação. Afinal, os irmãos Batista eram próximos dos governos petistas, dos quais obtiveram muitas vantagens. O próprio Temer tentou explorar esse veio, falando em "conspiração". Empresários que conhecem bem Joesley e Wesley asseguram que a aproximação com o governo petista foi pragmática, para usar uma palavra educada.

Joesley (E) e Wesley (D) Foto: Claudio Belli / Valor Econômico / Agência O Globo

Uma das evidências da proximidade foi a escolha do ministro da Fazenda de Temer. Ao ser convidado, Henrique Meirelles era presidente do Original, apresentado como primeiro banco 100% digital do Brasil. Isso não quer dizer que a posição de Meirelles esteja ameaçada pela delação da JBS, do grupo J&F.

O ministro não é citado nem aparece em situação suspeita. No entanto, sua indicação é apontada como evidência do comprometimento dos Batista com o governo Temer — e vice-versa. Antes, Meirelles ocupava outro cargo: era presidente do conselho da J&F, principal holding da família Batista.

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Se restasse dúvida, uma das revelações do jornal O Globo foi a de que o deputado federal Rodrigo Rocha Loures, ex-assessor de Temer, ofereceu a Joesley que a JBS fizesse indicações para cargos em órgãos críticos, como Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Receita Federal, Banco Central e Procuradoria da Fazenda Nacional. 

Ao aceitar a delação premiada e preparar a entrega de propina rastreada para emissários de Temer e de Aécio Neves, os irmãos Batista tentam garantir a sobrevivência dos negócios. Embora trabalhem com proteína animal, Joesley e Wesley nunca foram mortadelas ou coxinhas. 

Apesar da proximidade com os Batista, Meirelles não sofreu desgaste até agora. Assim como a maioria dos analistas prefere "solução rápida" para o desmonte simbólico e fático do governo — dois ministros devem sair —, vários defendem a manutenção da equipe econômica como forma de manter alguma previsibilidade. Técnicos estariam blindados do contágio das delações. Assim, sua permanência seria a estabilidade possível até 2018.

Leia outras informações da coluna de Marta Sfredo

 
 
 
 
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