Fonte de riqueza 

Um grupo para aumentar o lugar da serra gaúcha no mapa do turismo

Tarcísio Michelon, do Dall'Onder, une negócios que vão de hotéis a parques temáticos e pensa em formar uma rede de âmbito regional

18/06/2017 - 17h30min | Atualizada em 18/06/2017 - 17h30min
Um grupo para aumentar o lugar da serra gaúcha no mapa do turismo Divulgação/Dall'Onder
Foto: Divulgação / Dall'Onder  

Depois de 37 anos burilando o mercado turístico em Bento Gonçalves, incluindo no negócio vários empreendedores locais, Tarcísio Michelon decidiu dar um passo maior. A conhecida marca Dall'Onder, que ele administra, vai se transformar em um grupo empresarial. Além de novos hotéis – dois em construção, outro em planejamento – inclui parques temáticos, cicloturismo, saúde, agência de viagens e empreendimentos imobiliários. Michelon reivindica a criação do que chama de atrativos permanentes na Serra, com os roteiros do Vale dos Vinhedos e dos Caminhos de Pedra. Além de consolidar os negócios sob o mesmo guarda-chuva, Michelon está desafiando uma antiga rivalidade entre Bento e Caxias do Sul, onde vai administrar um hotel que pretender ser muito mais do que mais um meio de hospedagem na cidade. O empresário atribui o foco na cidade vizinha ao "amor paternal" – o pai, caxiense, teve de se mudar para Bento. Segundo o filho, nunca se adaptou à mudança de endereço. 

Novos horizontes

"Em termos de hotéis, nos definimos como uma rede regional, não queremos ser nacionais. Para isso, além do Grande Hotel de Bento, estaremos inaugurando o Axten em Caxias do Sul em março de 2018, e o Express em Garibaldi no segundo semestre de 2018. Temos outro hotel em projeto para Bento, quase em frente ao Grande Hotel. Serão 1,1 mil leitos do Dall'Onder em Bento Gonçalves. Além de hoteleiros, passamos a ser operadores de parques temáticos."

Turismo no pedal

"Além do Parque da Ovelha, nós consideramos um parque temático o cicloturismo, porque é ao ar livre. Esse projeto nos torna o primeiro bike hotel do Brasil, com camionetes, reboques, e condutores especializados que acompanham o grupo em cinco roteiros. São destinos diferentes que podem ser realizados em quatro, seis ou oito horas, acompanhado por guias. Temos bikes elétricas, mas tem que pedalar, viu (risos)? A gente adotou porque a equipe que nos treinou relatou que se usa muito em cidades montanhosas da Europa. Tem sido um sucesso."

Parque de Esculturas

"Nos próximos meses será inaugurado outro parque temático, o Parque de Esculturas Internacional, com 45 peças. Tem uma entidade do grupo chamada Instituto Tarcísio Michelon, voltada ao ensino da música para crianças, que também promove simpósios internacionais de escultura. Escultores internacionais ficam enclausurados no hotel, e lá eles confraternizam e fazem esculturas de basalto, da Serra, e granito, de Cachoeira do Sul. Essas peças do acervo pertencem ao instituto e estou cedendo a terra para inaugurar o parque, que ficará ao lado da Casa da Ovelha. Com o dinheiro arrecadado nos ingressos, vamos ampliar o número de crianças atendidas na música."

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Cuidado com a saúde

"Tive contato com o diretor do Kurotel, Luis Cusin, e ele me falou que todos os espaços de qualidade estão ligados a temáticas do oriente. Então estou fazendo um curso de terapeuta ayurveda e vamos implantar esse conceito no Dall'Onder. Entendemos que hotel como commodity vai ter cada vez mais, mas a preocupação com os detalhes é um dos nossos diferenciais. Na Europa e em várias partes do mundo, os hotéis oferecem aos clientes o cuidado com saúde, incluindo massagens, palestras. Queremos envolver a comunidade. Esse posicionamento pretende acompanhar todo o crescimento do grupo, vamos expandir para a rede."

Sem esquecer das raízes

"Nasci dentro do hotel dos meus pais, o Hotel Bela Vista, em 1949. Em 1980, abandonei a engenharia e resolvi voltar para minha terra natal, Bento Gonçalves, para me dedicar à hotelaria. A partir de pesquisas e análises, desenvolvi um saber muito meu: no turismo, existem dois tipos de atrativos: o de caráter eventual e o de caráter permanente. Para desenvolver, é preciso focar no caráter permanente. Por isso digo que a Festa da Uva é o grande mal de Caxias. Eles acham que é turístico, é uma festa que tem seus méritos, mas é a festa do trabalhador, eles vão lá para ver shows do pessoal de fora. Temos de fazer coisas que valorizem a nossa cultura. Instituí o passeio de Maria Fumaça, o Vale dos Vinhedos, onde levávamos visitantes. Eu tinha uma moeda de troca, o passageiro, essa era a força. Todo o modelo de desenvolvimento turístico de Bento começou dentro de um hotel. Aí você vai dizer 'não tinha secretaria de Turismo?'. Eles não tinham essa mentalidade. Tudo nasceu no Dall'Onder."

Potencial turístico

"O que caracteriza o turismo de Bento é ser do interior. Ele não é melhor nem pior do que o de Gramado, mas é diferente. Em Caxias tem tantas maravilhas que não tem sentido reduzir o turismo à Festa da Uva. Vale a pena a gente começar a focar em outras coisas. Caxias tem um território extraordinário, o potencial turístico é muito maior do que o de Bento. Você sabia que em Caxias existem 190 vinícolas e em Bento são 79? Flores da Cunha, 160. Quando eu voltei a Bento, a cidade tinha 300 leitos, e agora são 4,5 mil, parte disso em construção. Em Caxias, cidade cinco vezes maior, tem 3 mil. Tenho estimulado muito, porque Caxias tem um poderio gigantesco de levar qualquer evento. Por isso existe o projeto de construir um centro de eventos na cidade. Meu pai era caxiense e morreu amando Caxias. Não se adaptou em Bento. Comprou o hotel para dar estudo para oito filhos, mas morreu amargurado por não estar lá. Por trás desses investimentos, existe um amor paternal pela terra de Caxias".

Leia outras informações na coluna de Marta Sfredo

 
 
 
 
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