#ComoFazRS

Indústria em Gravataí transforma aço em peças para caminhonetão

Nova seção da coluna +Economia vai mostrar produtos feitos no Rio Grande do Sul por grandes e pequenas empresas

17/07/2017 - 08h33min

No Rio Grande do Sul, convivem grandes indústrias construidas a partir da vocação de imigrantes quanto pequenos negócios que descobriram que havia espaço para produtos inovadores. É essa diversidade que a coluna pretende começar a mostrar – literalmente, em texto no impresso e vídeo no site – nesta seção, chamada #ComoFazRS. A estreia combina as duas vertentes, porque a Dana, uma multinacional, entrou no Brasil pela Albarus, erguida no Estado por um imigrante.

Saída por navio

É a partir da unidade de Gravataí que a americana Dana comanda as atividades no Brasil. Como todas as empresas do setor automotivo, a Dana sofreu na recessão. Perdeu cerca de 40% de seu faturamento entre 2013 e 2016. Mas ainda gera R$ 1 bilhão em negócios, com as outras cinco unidades no país. Para enfrentar a crise e não permitir que o quadro já difícil piorasse, resolveu investir. Aplicou US$ 7 milhões em linha desenhada no Brasil para exportar juntas homocinéticas que vão equipar caminhonetões F-250 nos EUA.

Unidade verticalizada

Quem conduz a equipe para conhecer a fábrica é o engenheiro Nelson Wagner, gerente sênior de excelência operacional da Dana Brasil. Os colegas brincam:

– É o "filho" dele.

Referem-se ao fato de o engenheiro e sua equipe terem desenvolvido todo o fluxo produtivo que começa com o corte de vergalhões (grandes estruturas cilíndricas de aço, de diversas circunferências) e chega ao produto final. No meio, tanto há forjas que operam basicamente como no início da revolução industrial quanto robôs Kuka, de uma das fabricantes mais reputadas em automação.

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Resultado de equilíbrio

A unidade que exporta juntas homocinéticas para os EUA está trabalhando em três turnos para dar conta das encomendas. Tem capacidade para produzir 300 mil peças ao ano. Seu valor ao sair da fábrica é um segredo estratégico, mas os engenheiros estimam que o valor da peça, no mercado de reposição, chegue a US$ 300. Cada uma. O resultado, até agora, é de equilíbrio. O mais importante, avalia Luis Pedro Ferreira, responsável por relações institucionais da Dana, é que ajuda a absorver os custos fixos.

História no Estado

O complexo de Gravataí leva o nome do imigrante alemão Ricardo Bruno Albarus, que chegou ao Estado em 1928 trazendo dois bisturis Solingen. Vendeu para ter capital e abrir uma oficina de precisão em 1947. A partir de um pedido de mil cruzetas da Ford, obteve recomendação para fornecer para a Spicer Manufacturing Company. Em pouco tempo, a Dana assumiu o controle da Albarus e se tornou, a partir dos anos 1970, importante fornecedora global de autopeças.

Detalhes nem tão pequenos

O negócio da Dana é tecnologia, mas para chegar ao produto final é preciso passar por processos industriais pesados, que incluem aquecimento a temperatura de até 1.200ºC e pressão de até 4 mil toneladas.

 
 
 
 
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