Depois de dias de ensaio, a bolsa de valores quebrou seu recorde em número de pontos nesta segunda-feira (11). Superou com folga a maior marca anterior, com alta de 1,7%, fechando em 74.319. É tão flagrante a diferença de cenário entre 20 de maio de 2008 e 11 de setembro de 2017 que ganhou força a tese de que, para uma comparação precisa, seria necessário atualizar o indicador, mesmo medido por número de pontos. Nesse caso, a marca a ser batida se elevaria a mais de 100 mil. Mesmo assim, a superação da marca nominal é simbólica. Há certo consenso de que o pior ficou para trás, ainda que com ressalvas.
– Há uma euforia exagerada. Passamos o pior, mas não superamos todos os obstáculos – adverte Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating.
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Agostini destaca, ainda, que o fato de o recorde ter sido superado não significa o fim de momentos difíceis como foram os últimos 10 anos na renda variável. No Brasil, poucas pessoas físicas operam com ações. O mercado é dominado por investidores institucionais, como fundos de investimento. Cada um representa grande volume de negociações. Por isso, quando mudam de posição, provocam movimentos mais bruscos.
Mesmo depois do recorde, Agostini avalia que ainda há boas oportunidades de ganho com ações, mas recomenda cautela:
– É bom lembrar que a bolsa no Brasil é uma montanha-russa. Se tudo ocorrer como o mercado prevê, chega a 80 mil pontos.
Para quem está descobrindo agora o mercado de capitais, forçado pela baixa na remuneração da renda fixa, vale lembrar algumas máximas desse universo atrativo, arriscado e, se bem administrado, compensador.
– A diversificação (entre tipos de aplicações) é sempre a melhor receita. E é preciso lembrar que não há conquista sem sofrimento – reforça Agostini.