Colégio público em zona nobre

Vereadores vão pedir tombamento de escola ameaçada de fechar no Mont'Serrat

Projeto de lei para manter Escola Estadual Maria Thereza da Silveira, na Capital, será protocolado pela bancada do PSOL nesta sexta-feira

17/02/2017 - 06h01min | Atualizada em 17/02/2017 - 10h36min
Vereadores vão pedir tombamento de escola ameaçada de fechar no Mont'Serrat Anderson Fetter/Agencia RBS
Foto: Anderson Fetter / Agencia RBS  

Decidida a impedir a qualquer custo o fechamento da Escola Estadual Maria Thereza da Silveira — uma brizoleta apontada como um dos melhores colégios públicos da Capital —, a bancada de vereadores do PSOL vai protocolar nesta sexta-feira um projeto de lei pedindo o tombamento do local.

O governo do Estado já admite a extinção da escola em 2018. Tudo porque o IPE, dono do terreno, exige um aluguel de inacreditáveis R$ 98 mil por mês, já que a Maria Thereza da Silveira situa-se na região mais nobre da cidade, no limite entre os bairros Bela Vista e Mont'Serrat. Boa parte dos 164 alunos são filhos de porteiros, domésticas, zeladores e outros trabalhadores da região que moram na Vila Bom Jesus.

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O estranho é que, em 2004, o governo do Estado já havia fechado um acordo com o IPE para manter a escola onde está — em troca, o IPE receberia outro terreno de mesmo valor. O tal terreno jamais foi entregue, mas o que impediria que essa transação fosse feita agora? Se todos os envolvidos, IPE e Secretaria da Educação, fazem parte da administração estadual, a impressão é de que a prioridade, para a administração estadual, não é a educação.

Fundada em 1956, a Maria Thereza tem ar-condicionado em todas as salas e índice de repetência bem abaixo da média. A Prova Brasil mostrou que 86% dos alunos do 5º ano têm aprendizado adequado em português — no Estado, o percentual não passa de 50%.

— Parece que pobre não pode estudar em escola de qualidade — diz o deputado estadual Pedro Ruas (PSOL), que, ao liderar um movimento para manter o colégio aberto, convocou os vereadores de seu partido, Alex Fraga, Fernanda Melchionna e Roberto Robaina, para pedirem o tombamento da Maria Thereza.

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