Pelo quê?

Não importa se você é a favor ou contra as armas: o slogan "Armas pela Vida" não faz sentido

Armas são pela morte, ainda ainda que a morte seja em legítima defesa

17/03/2017 - 05h00min | Atualizada em 17/03/2017 - 12h30min
Não importa se você é a favor ou contra as armas: o slogan "Armas pela Vida" não faz sentido Fábio Paranhos/Divulgação
Vereadores protocolaram na Câmara pedido de abertura da Frente Parlamentar Armas Pela Vida Foto: Fábio Paranhos / Divulgação  

Em primeiro lugar, não sou contra o direito de alguém ter uma arma para se defender — desde que a arma fique em casa e que o sujeito tenha treinamento e aptidão psicológica para usá-la. Restrições ao calibre são cruciais também: não faz sentido legítima defesa com uma metralhadora que derruba avião.

Dito isso, julgo-me isento para considerar o slogan Armas pela Vida uma sandice. Como disse o meu amigo Caue Fonseca, daqui a pouco alguém funda o movimento Orgias pela Castidade. Ora, armas são pela morte, ainda que a morte seja em legítima defesa. No domingo, a partir das 15h, o grupo fará um ato contra o Estatuto do Desarmamento no Parcão.

A foto acima mostra, da esquerda para a direita, os vereadores Valter Nagelstein (PMDB), Mônica Leal (PP), Comandante Nádia (PMDB), Mendes Ribeiro (PMDB), Wambert Di Lorenzo (PROS) e Felipe Camozzato (Novo) — além de um dos coordenadores do movimento, Pedro Meneguzzi — protocolando na Câmara a abertura da Frente Parlamentar Armas pela Vida.

O debate sobre o fim do Estatuto do Desarmamento é legítimo, mas precisa ser tratado de forma séria e racional, não com paixões e demagogia. O logotipo do grupo é um revólver dentro de um coraçãozinho. Todos sabemos — contrários ou favoráveis ao estatuto — que revólveres fazem corações pararem.

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