Ela fez e agora é nossa

Moradora transforma escadaria abandonada em um dos recantos mais encantadores de Porto Alegre

Com a ajuda de vizinhos, Cláudia revitalizou com ladrilhos coloridos 88 degraus no bairro Jardim Carvalho. A travessia, que era rota de fuga de assaltantes, agora é orgulho dos moradores da região

03/04/2017 - 06h00min | Atualizada em 03/04/2017 - 12h16min
Moradora transforma escadaria abandonada em um dos recantos mais encantadores de Porto Alegre Cláudia Coelho e Isadora Neumann/Divulgação e Agência RBS
Escadaria sombria e degradada deu lugar a uma verdadeira obra de arte na Rua Professor Antônio Peyrouton Louzada Foto: Cláudia Coelho e Isadora Neumann / Divulgação e Agência RBS  

Com talento, uma dose de idealismo e um comovente apoio dos vizinhos, a psicóloga Cláudia Coelho, 46 anos, transformou uma escadaria abandonada na Zona Leste em um dos recantos mais encantadores da Capital. A íngreme travessia da Rua Professor Antônio Peyrouton Louzada — que liga a parte baixa à parte alta do bairro Jardim Carvalho — não é mais rota de fuga para assaltantes nem ponto de encontro para usuários de drogas. É, agora, um orgulho para quem mora ali e um exemplo para quem não mora.

— Sou apaixonada por Porto Alegre, mas me dói o estado de abandono em que ela está. Revitalizar esse espaço foi minha maneira de resistir, foi minha microrrevolução. Quero ajudar a elevar a autoestima da cidade — afirma Cláudia, que teve a ideia da restauração em 2015, quando recém havia concluído um curso de mosaico.

Foto: Isadora Neumann / Agência RBS

Ela guardava em casa uma pilha de azulejos quebrados que lhe haviam sido doados por uma loja de construção. Cogitava as paredes da própria casa como destino para o material, mas um dia acordou com aquela canção infantil na cabeça: "Se essa rua/ Se essa rua fosse minha/ Eu mandava/ Eu mandava ladrilhar/ Com pedrinhas /Com pedrinhas de brilhante/ Para o meu /Para o meu amor passar".

Durante um ano e meio, Cláudia e um grupo de vizinhas se reuniram para montar os mosaicos, que mais tarde seriam fixados nos 88 degraus — para se ter uma ideia, a escadaria da Igreja das Dores tem 63 degraus. Só que antes de receber os ladrilhos a travessia precisava de uma reforma: estava toda quebrada e cheia de limo. Cláudia então bolou uma campanha para juntar R$ 4 mil.

— Dividi o valor da obra pelo número de degraus e comecei a vender "degraus simbólicos". Cada degrau custava R$ 50. O comprador ganhava um azulejo com seu nome, que seria colocado em uma parede da escadaria no dia da inauguração.

Foto: Isadora Neumann / Agência RBS

Reformada e colorida, a nova escadaria foi inaugurada em dezembro, em um evento com 200 pessoas. Cláudia inicia agora uma nova campanha, para construir um palco em formato de violão ao pé da escada: ela vende canecas com a imagem dos degraus para angariar fundos. A ideia é transformar a escadaria em ponto turístico e espaço cultural.

— Queremos que seja um local convidativo para eventos que a cidade tenha interesse em fazer. Porto Alegre precisa disso — diz ela.

Precisa também de mais Cláudias.

A psicóloga Cláudia Coelho, idealizadora da revitalização da escadaria na Rua Professor Antônio Peyrouton Louzada Foto: Lisiane Prates / Divulgação
Foto: Isadora Neumann / Agência RBS
 
 
 
 
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