
Clube grande cai, sim, basta que tenha um time ruim como é o caso do Internacional. Ruim, aliás, é pouco. Para ser apenas ruim o Inter teria que melhorar. O desempenho deste domingo levou a torcida ao desespero. Quem se salva neste time? O goleiro Danilo Fernandes deveria pedir para sair antes de voltar a Porto Alegre. É o único jogador que parece ter vergonha na cara.
Durante o jogo inteiro, o Inter se comportou como se estivesse jogando uma pelada de fim de ano. É possível perder, sim, mas é inaceitável que um time demonstre tanto desinteresse mesmo que o jogo decidisse a vida do clube. Se o Inter tivesse levado para o Rio de Janeiro o seu time de juniores, a vergonha teria sido bem menor.
Marcelo Medeiros, eleito presidente do Inter no último sábado, terá uma tarefa tão complicada como jamais aconteceu com outro dirigente do clube. A primeira e inadiável tarefa a ser cumprida será fazer uma faxina no vestiário. A frota de caminhões do DMLU deve encostar no Beira-Rio para recolher o lixo que escapa por todas as frestas do estádio. Pela primeira vez na sua história, o Inter vai disputar a Série B. Castigo mais do que merecido.
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Vergonha
Seria imensamente menor o sofrimento dos colorados se o time tivesse apresentado um comportamento digno em campo. Não foi a primeira vez que o Inter perdeu demonstrando a mais absoluta indiferença. Faltou vontade, faltou vergonha na cara.
O Inter sustentou um dos times mais caros do futebol brasileiro. Se fosse uma equipe raçuda, o Inter seria capaz de fugir da queda, embora a desqualificação fosse de manchar a história.
Futuro
Para encurtar a sua passagem pela Série B, o Inter terá que montar um time que seja muito superior a este que fracassou na Série A. Com os jogadores que ocupam atualmente os armários do vestiário o Inter não garante que ficará apenas um ano na segundona.
Marcelo Medeiros terá que conseguir dinheiro e pessoas capazes de buscar jogadores que se identifiquem com o passado vitorioso do clube.
Soberba e teimosia
Não me dá prazer algum lembrar que, neste espaço, no distante mês de março, avaliei o time colorado e alertei que se não houvesse mudanças profundas o Inter seria candidato ao rebaixamento. Mais tarde, vários companheiros da crônica esportiva reiteraram o alerta.
Porém, nada chegava ao gabinete presidencial do Beira-Rio. No máximo, de lá saíram apenas frases arrogantes do tipo "clube grande não cai". O Inter demorou a buscar reforços, mas quando foi às compras gastou muito e mal.
No final deste melancólico domingo em que o Inter caiu, só restou a palavra final do presidente Vitório Piffero: "Eu sou o culpado pelo fracasso". Nem precisaria dizer. Não preenchem os dedos de uma mão os seus acertos.
Passagem
Piffero anunciou que tentará apressar a passagem do seu cargo para o presidente recém eleito. Quanto mais cedo Marcelo Medeiros começar o trabalho de reconstrução da equipe, maiores serão as chances de o Inter pretender melhor sorte em 2017.
Reforços
Existe um dirigente colorado com capacidade única para indicar reforços para a próxima temporada: Fernando Carvalho. O novo departamento de futebol está constituído, mas seria uma providência intransferível buscar em Fernando Carvalho um conselheiro permanente. Para que o Inter, no mínimo, não saia pelo mundo buscando jogadores como Ariel.