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Fábio Ostermann: o que esperar de 2016?

Cientista político e professor na Faculdade Campos Salles, mestre em Ciências Sociais (PUCRS)

Por: Fábio Ostermann
12/01/2016 - 05h31min

Ainda que no Brasil ainda estejamos distantes da concretização do ideal democrático de "governo do povo, para o povo e pelo povo", não há como negar que vivemos um período de efervescência democrática. Em 2014 tivemos a eleição presidencial mais disputada da história. Hoje sabemos que a vitória de Dilma Rousseff foi obtida mediante clara fraude fiscal e estelionato eleitoral. A sociedade brasileira se levantou contra estes desmandos e em 2015 tivemos as maiores manifestações populares da história do país. A vitalidade da nossa sociedade civil demonstra a maturidade democrática do país.

Vivemos hoje também um recorde histórico de três décadas ininterruptas de vivência democrática. Essa marca, que merece ser celebrada, é fruto de um processo de modernização da sociedade brasileira. Temos hoje uma classe média ampla, razoavelmente instruída e que parte de um consenso em relação ao binômio democracia/economia de mercado. Mas este não é o fim da história. Essa "nova classe média" não está interessada no proselitismo sectário petista e nem no patrimonialismo fisiológico dos outros partidos políticos. Ela quer mais.

A ascensão da economia colaborativa, lastreada no potencial emancipador da internet, deixa evidente uma mudança de mentalidade. Brasil afora se percebe também uma mudança de mentalidade e de atitude em relação aos velhos paradigmas de governo, Estado, mercado e sociedade. Vivemos a era da liberdade. O brasileiro quer ser livre de governos opressores e ineficientes, livre de corporações monopolistas e privilegiadas, livres de estruturas tradicionais e hierárquicas que limitam as suas possibilidades de se desenvolver como indivíduo e prosperar.

Somos um país de proporções continentais, com problemas e desafios igualmente colossais. Mas 2016 tem tudo para ser o ano da virada. Apesar dos pesares, a demanda por liberdade e realização individual nunca falou tão alto. E aqueles que souberem enxergar mais longe, demonstrando compreender essa aspiração — seja nos negócios ou mesmo na política —, serão recompensados. Afinal, não há nada mais forte do que uma ideia cuja hora já chegou.

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