Uma combinação de números positivos na área econômica só não tem dado mais margem para otimismo devido às incertezas que persistem na política, com potencial para provocar uma reversão das expectativas. Seria lamentável se isso ocorresse, pois um somatório de indicadores acena com resultados favoráveis já para este ano, com perspectivas de uma consolidação mais firme a partir de 2018. O fato de o consumo das famílias ter voltado a se expandir, depois de nove trimestres consecutivos sem crescimento, é uma conquista que precisa ser preservada e ampliada, para que o país possa deixar logo para trás essa que pode ser considerada a sua mais longa recessão.
A reação nos números é modesta, mas consistente. A taxa de inflação, por exemplo, é a mais baixa desde a implantação do regime de câmbio flutuante, em 1999. A redução em um ponto da taxa básica de juros favorece tanto a questão fiscal, com a queda no custo da dívida, quanto os planos dos consumidores. E há mais quedas à vista no percentual, o que já tem favorecido, entre outras áreas, as vendas de veículos. Nos últimos 12 meses, a Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) registra um incremento de 20% na produção de automóveis. A estimativa de crescimento para este ano foi revisada para 25%.
Em consequência, tanto o governo quanto o mercado vêm revisando para cima as estimativas de expansão do Produto Interno Bruto (PIB). Os cálculos, agora, são de que o incremento poderia chegar a 3% no próximo ano e a 3,5% em 2019, quando o país já terá um novo presidente eleito pelas urnas. Ainda é pouco para as necessidades dos brasileiros de maneira geral, particularmente dos desempregados. De qualquer forma, significa um alento importante para uma economia que, até há alguns meses, parecia incapaz de se recuperar.
Os primeiros indícios consistentes de reação atividade produtiva merecem ser comemorados, mas o otimismo não pode se prestar para colocar as reformas em segundo plano. Num país com as contas públicas em desequilíbrio, só pode haver crescimento sustentável se forem levadas adiante reformas estruturais cuja aprovação as crises políticas dificultam, mas não inviabilizam. Entre elas, estão a tributária, considerada essencial para desonerar a produção, e a previdenciária, sem a qual não haverá perspectiva de redução do déficit público.
Quem estiver realmente comprometido com a retomada da economia, precisa se empenhar pelas reformas.