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Protesto

Entrada do Campus Central da UFRGS é fechada por servidores

Manifestação afeta o funcionamento da universidade nesta segunda-feira

Atualizada em 19/05/2014 | 15h1419/05/2014 | 07h56
Entrada do Campus Central da UFRGS é fechada por servidores Ronaldo Bernardi/Agencia RBS
Bloqueio começou durante a madrugada Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS

Desde a madrugada desta segunda-feira, servidores técnicos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) bloqueiam as entradas do Campus Centro da instituição. A manifestação — que compromete aulas e o funcionamento de atividades administrativas — é motivada por pedidos de reajustes salariais dos funcionários, que estão em greve há dois meses. Funcionários da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e do Instituto Federal do Rio Grande do Sul também aderiram à paralisação. Desde 2011, já foram pelo menos outras cinco ocupações de prédios da UFRGS por servidores em greve (relembre os casos abaixo).

— Não entram nem professores, nem estudantes, nem funcionários — afirma a coordenadora-geral da Associação dos Servidores da UFRGS (Assufrgs), Bernadete Menezes.

Estudantes das faculdades de Educação e Arquitetura e com aulas marcadas nos prédios anexos I e II foram liberados. Os serviços administrativos, como as atividades da Reitoria, e as visitas ao museu e à biblioteca também estão suspensos. Todos os portões do Campus Central — nas avenidas Paulo Gama, Oswaldo Aranha, Engenheiro Luís Englert e na Rua Sarmento Leite — foram fechados pelos manifestantes.

O protesto deve seguir até o final da tarde desta segunda-feira. Portanto, as atividades seguem suspensas ao longo do dia. Nas demais unidades da UFRGS, como o Campus do Vale, as atividades seguem sem alterações. 

Segundo o comando de greve, os servidores devem receber uma resposta do governo federal por volta das 17h, com a apresentação de uma proposta em Brasília. A paralisação tem caráter nacional e, com a divulgação da proposta, os grevistas farão uma avaliação e definirão as próximas medidas a serem adotadas.

 
Portões do Campus Central estão fechados desde as 4h da madrugada
Foto: Ronaldo Bernardi / Agência RBS 


No começo da manhã, o clima era de dúvidas nas imediações do Campus Central. Funcionários, estudantes e escolas com visitas agendadas foram surpreendidos pela interrupção das atividades. Porém, muitos se mostraram compreensivos às reivindicações dos servidores e mostraram apoio ao movimento.

— A informação que temos é que não vamos ter aulas, mas acho justo este fechamento porque os servidores não têm data base. Também considero justa as outras reivindicações — disse a estudante de História Laura Galli, 22 anos.

Por volta das 8h, 23 alunos da Escola Adventista do Partenon aguardavam em frente aos portões fechados do Campus Central. Acompanhados de uma orientadora educacional e de um professor, os alunos tinham programado uma visita ao Museu da UFRGS. No entanto, tiveram de partir para um Plano B. 

— Quando chegamos, encontramos os portões fechados. Tentamos contato com o responsável pelo museu, que confirmou a visita na sexta-feira — afirmou a orientadora educacional do colégio, Milene da Rosa.

De mais longe vieram os alunos da Escola Mathias Schültz, do município de Ivoti. O grupo de mais de 80 estudantes viajou uma hora e meia nesta manhã para conhecer o museu, mas também tiveram de mudar a programação.

— Como vamos ficar com 86 estudantes entre 14 e 15 anos circulando pelo centro de Porto Alegre? — questionou a professora Marilu Blume.

Aos alunos que tinham aula nesta manhã — alguns deles, inclusive com provas marcadas — o jeito foi voltar para casa. A estudante do curso de Artes Visuais Lydia Coelho, 23 anos, passou a noite em claro preparando a apresentação de um projeto. Com os portões lacrados, teve a atividade adiada.

— Me disseram que está tudo fechado. Um servidor até pediu desculpas e disse que hoje não haveria nenhum atividade até as 17h — afirmou Lydia.

O reitor da instituição, Carlos Alexandre Netto, se manifestou por meio de sua assessoria de imprensa:

— A universidade lamenta o bloqueio aos acessos do Campus Central porque isso traz um prejuízo às atividades de ensino, pesquisa, extensão e admiração. Continuaremos dialogando com vistas à reabertura dos portões e ao reestabelecimento das atividades o mais breve possível.

Desde quarta-feira da semana passada, estudantes ocupam a Reitoria da instituição. Entre as 41 reivindicações, eles pedem melhora na qualidade do Restaurante Universitário (RU), concurso para Guarda Universitária, ampliação de vagas na Casa Estudantil, ampliação da estrutura da biblioteca do Campus do Vale e a transparência nos concursos públicos. Os alunos apoiam o movimento dos servidores, assim como a ocupação do prédio da Faculdade de Direito da UFRGS.

Os funcionários em greve também protestam por novos concursos públicos para servidores, a manutenção e ampliação das creches e o reposicionamento das aposentadorias.

O que diz o Ministério da Educação, por meio da assessoria de comunicação

"O MEC reitera que a paralisação desrespeita, unilateralmente, o acordo firmado entre a Fasubra e o governo federal, pois em 2012 a federação fez um acordo com o governo federal, que tem vigência até 2015.
Os servidores das universidades federais receberam, já no mês de março, a segunda parcela do acordo feito com o governo federal em 2012. O acordo assinado pela Fasubra é o segundo melhor firmado por uma categoria com o governo federal. Além dos reajustes programados para 2013, 2014 e 2015, também foi pactuada a revisão dos steps da tabela remuneratória para janeiro de 2014 e janeiro e 2015.
Foi também autorizada, a partir de janeiro de 2013, a revisão dos percentuais para concessão dos incentivos à qualificação, extensivo a todas as classes do PCCTAE, o somatório de cursos com carga horária de 20 horas para progressão entre os níveis de capacitação e revisão do requisito de progressão para o Nível de Capacitação IV do Nível de Classificação 'E'.
Além disso, foi instituído o Plano Nacional de Desenvolvimento Profissional dos Servidores Integrantes do Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos, que, somente em 2014, prevê a capacitação de 14 mil trabalhadores entre cursos de graduação, pós-graduação e programas de capacitação."

Relembre as últimas manifestações dos servidores da UFRGS
Desde 2001, foram pelo menos cinco ocupações de prédios da universidade por trabalhadores em greve

 
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