De frente para o Guaíba

Com sucesso na Copa, Embarcadero terá espaço fixo na orla do Guaíba

Uso do cais durante o evento esportivo reacendeu o debate sobre a ocupação de espaços públicos na cidade

17/07/2014 | 10h58
Com sucesso na Copa, Embarcadero terá espaço fixo na orla do Guaíba Luciana Moglia/Divulgação
Cais Embarcadero teve atividades gastronômicas, festas e transmissão de jogos Foto: Luciana Moglia / Divulgação

Com avaliação positiva de empresários e da prefeitura, o projeto Cais Embarcadero, que levou mais de 40 mil pessoas à orla do Guaíba durante a Copa do Mundo, voltará de forma definitiva a Porto Alegre. Durante o Mundial, o projeto realizou festas e transmitiu jogos em armazéns do Cais do Porto, além de ocupar uma área com mesas, cadeiras e o projeto Comida de Rua.

— A experiência de 30 dias serviu como laboratório para nós. O Embarcadero virá em formato definitivo, como uma área de lazer, entretenimento e gastronomia na beira do rio — adiantou o dono da marca, Eugenio Correa.

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De acordo com a Cais Mauá do Brasil, empresa responsável pela reforma dos 11 armazéns, a experiência serviu como aperitivo do que será o local após a conclusão dos trabalhos. A primeira fase de obras deve seguir até o final de 2015 e o Cais Embarcadero está em negociação com a empresa para atuar nas áreas de gastronomia e entretenimento.

— A população estava carente de ter de volta os armazéns. Queríamos mostrar que (a revitalização) vai ficar pronta e pedir um pouco mais de paciência para essa obra, que evoluiu bastante de seis meses para cá — diz o presidente da Cais Mauá, André Albuquerque.


Foto: Félix Zucco

Nesta semana, a Cais Mauá do Brasil deu início ao processo de comercialização de espaços nos armazéns. A ideia é concentrar operações de design e decoração, além de uma área de serviços, gastronomia, cultura e nove praças que vão abrigar espaços para crianças, bicicletários, áreas de estar, de exercícios físicos e áreas gramadas para lazer.

A revitalização, que sai do papel depois de mais de 25 anos, inclui, ainda, duas torres comerciais e um shopping ao lado do Gasômetro. Após a conclusão da primeira fase de obras, o cais ficará aberto ao público. Cada empreendimento, no entanto, terá liberdade para cobrar por eventos e serviços.

Uso comercial da área levanta questionamentos

Se, por um lado, o Embarcadero reforçou o sentimento da comunidade porto-alegrense em relação ao Cais, por outro, reacendeu discussões em relação ao uso comercial do local. Para a arte-educadora e produtora cultural Cristiane Cubas, que ajuda a organizar um evento para discutir o projeto do Cais Mauá marcado para este sábado, a iniciativa durante a Copa acabou por "selecionar" o público em vez de promover a diversidade.

— Acredito que espaços como o cais têm que estar ligados a um caráter de abertura, e não de seleção de pessoas. Só o fato de ter uma programação não torna o acesso livre — avaliou.

Presidente do departamento gaúcho do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RS), Tiago Holzmann da Silva destacou o lado positivo da iniciativa, de mostrar o interesse da população em utilizar o espaço à beira do Guaíba, mas acredita que o perfil de frequentador desejado pelos investidores é mais restrito.

— É explícito o caráter elitista da revitalização. Não é um controle, é uma coisa sutil, um folder com uma menina carregando uma bolsa de marca. Parece que querem transformar a orla em um shopping center chique — opinou.

Entusiasmado com o resultado da experiência do Embarcadero, que considerou "uma amostra do que o Cais pode vir a ser no futuro", o secretário do Gabinete de Desenvolvimento e Assuntos Especiais (Gades) da prefeitura, Edemar Tutikian acredita que as atividades comerciais não prejudicarão a relação da população com o espaço.

(O Cais) vai ser um shopping a céu aberto. O BarraShopping é elitizado? Todo mundo pode entrar e sair, consumir em um dia e no outro não. É do nosso cotidiano. Se a pessoa quiser ir até lá só para ver o pôr do sol e levar seu chimarrão vai poder também.

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