Investigação

MP faz reunião para debater desocupação de área da Terreira da Tribo na Cidade Baixa

Grupo vai buscar informações sobre de onde partiu ordem para ação, realizada na quarta-feira

31/07/2014 | 21h10
MP faz reunião para debater desocupação de área da Terreira da Tribo na Cidade Baixa  Mateus Bruxel/Agencia RBS
Moradores de rua desmancharam seus casebres Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

Uma reunião para debater a remoção das famílias que ocupavam uma área no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre, foi realizada nesta quinta-feira. Na quarta, 13 famílias de sem-teto que viviam no local - esquina da Avenida Aureliano de Figueiredo Pinto com a Rua João Alfredo - foram convidadas a se retirar do terreno, que abrigará a futura sede do grupo de atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz (Terreira da Tribo).

Participaram da reunião a promotora de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos de Porto Alegre Liliane Dreyer Pastoriz, representantes do Serviço de Atendimento Jurídico (Saju) da UFRGS, do Centro de Defesa de Direitos Humanos (CDDH), da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Vereadores, da Ouvidoria Setorial de Segurança Pública do Estado do RGS e ainda quatro pessoas removidas do local.

— Vamos buscar informações para saber de quem partiu a ordem de remoção compulsória. Até o momento, não sabemos de onde veio — afirma Liliane.


Sem-teto recolheram seus pertences na manhã desta quarta-feira
Foto: Mateus Bruxel, Diário Gaúcho


Participaram da remoção equipes da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam), da Guarda Municipal e da Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc). Apesar de não ter havido remoção à força, não havia mandado judicial para a operação.

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O grupo discutiu como procederá a partir da abordagem realizada aos moradores no terreno, com a finalidade de evitar novas ações em outros locais.

— Se for necessário deslocar pessoas em situação de rua, temos uma equipe apta a trabalhar com isso, com condições de fazer um diálogo — ressalta a promotora.

A equipe referida, chamada Patrulha dos Direitos Humanos, é formado por representantes da Defensoria Pública do Rio Grande do Sul, Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Vereadores (Cedecondh), Movimento Nacional da População de Rua, Ministério Público e Ouvidoria da Segurança Pública Estadual.

— Queremos estabelecer uma interlocução com as autoridades municipais para buscarmos uma abordagem mais humanizada destes profissionais envolvidos com essas ações, como foi com a Smam ontem (quarta-feira).

 
Guarda Municipal acompanhou a saída dos moradores de rua
Foto: Mateus Bruxel, Diário Gaúcho


De acordo com o MP, dez pessoas foram encaminhadas para albergues, cinco foram para baixo do Viaduto dos Açorianos e um outro grupo seguiu para a Praça Garibaldi.

Obras na área devem começar na próxima semana

De acordo com o secretário-adjunto da Secretaria Municipal de Obras e Viação (Smov), João Pancinha, as obras para a construção da nova casa de Terreira da Tribo devem começar na segunda-feira. A partir daí, a empresa 5S Arquitetura e Design terá 12 meses para concluir o projeto.

— Segunda-feira, a empresa deve começar a fazer a limpeza do local e iniciar as obras. Nossa ideia é tentar fazer com que o processo leve menos tempo do que o prazo previsto, de um ano, mas imaginamos que não seja possível fazê-lo em menos de 10 meses.

Com 35 anos de história, o Ói Nóis Aqui Traveiz revolucionou o teatro na Capital ao propor apresentações radicais e com interação com o público. Passou por várias sedes, entre elas a da Rua José do Patrocínio, na Cidade Baixa. Deslocado para a Zona Norte, o grupo se animou em 2012 com a possibilidade de voltar ao bairro com a previsão de construção do Centro de Experimentação e Pesquisa Cênica Terreira da Tribo, na esquina da Avenida Aureliano Figueiredo Pinto com a Rua João Alfredo.


Projeto prevê construção de prédio para abrigar o grupo teatral
Foto: Divulgação


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