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Legado da Copa

O que deu certo: avenidas Beira-Rio e Padre Cacique

Mundial colocou o poder público diante de uma oportunidade única: redesenhar cidades-sede para melhorar a mobilidade urbana. Passado o torneio, projetos deixam aprendizados para a Capital

13/07/2014 | 06h03
O que deu certo: avenidas Beira-Rio e Padre Cacique Diego Vara/Agencia RBS
O Viaduto da Pinheiro Borda foi tratado como "prioridade máxima", o que assegurou recursos Foto: Diego Vara / Agencia RBS

Duas construções fazem parte deste projeto: duplicação da Avenida Beira-Rio e ampliação da Avenida Padre Cacique, com a construção do Viaduto da Pinheiro Borda, faixas exclusivas de ônibus e ruas transversais A, B e C. O prazo inicial de conclusão era dezembro de 2012. Divididas em seis partes, as obras se iniciaram entre julho de 2010 e março de 2013. Os dois últimos trechos da Beira-Rio foram abertos ao fluxo no final de maio. A Padre Cacique e o viaduto foram entregues dias antes do primeiro jogo da Copa em Porto Alegre, em 15 de junho.

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O impasse ambiental
Três fatores contribuíram para atrasar o andamento das obras: remoções de árvores e reintegração de posse de terrenos viraram brigas judiciais, além do impasse acerca do repasse de recursos dos financiamentos do governo federal. Na Beira-Rio, houve disputa judicial, com ação do Ministério Público, contra a remoção de 115 árvores que estavam na rota de ampliação da via, sobretudo na Praça Júlio Mesquita, em frente ao Gasômetro. Uma liminar travou a obra nesse trecho entre abril de 2013 e janeiro de 2014.

A disputa por terrenos
A ampliação da Padre Cacique sofreu entraves na retomada de terrenos que eram de propriedade da prefeitura. Seis empresas (floricultura, fábrica de gelo, casa de piscinas, pet shop, marmoraria e lavagem de carros) iniciaram uma disputa judicial para tentar permanecer na área. A situação atrasou a obra em alguns trechos entre o Estádio Beira-Rio e o Viaduto da Pinheiro Borda por 19 meses. Foram oito ações judiciais, tramitando nas esferas estadual e federal entre agosto de 2012 e março de 2014, quando ocorreu a última desocupação.

A estratégia
As obras deram certo porque a prefeitura as tornou "prioridade máxima". Esta foi a fórmula utilizada para fazer avançar: acelerar o entorno do estádio e frear ou paralisar o restante. Com o impasse nos financiamentos, o município investiu R$ 97 milhões do seu caixa, parte no complexo Beira-Rio.

O resultado
O legado do complexo Beira-Rio é a qualificação do principal corredor de acesso à Zona Sul da Capital, por onde 45 mil veículos fazem diariamente os caminhos de ida e volta. A prefeitura estima que, em horários de pico, é possível reduzir a viagem pelo percurso em 30 minutos.

IMPACTO SOCIAL

Positivo

Quem vive na Zona Sul e precisa se deslocar para o Centro já sentiu a diferença. Com a conclusão do Viaduto da Pinheiro Borda, o trânsito passou a fluir melhor a partir daquele ponto, impactando positivamente na qualidade de vida das pessoas. O contador Jorge Paz Estácio, da Associação de Moradores do Bairro Ipanema (Ambi), é testemunha da mudança, embora avalie que muito ainda precisa ser feito para pôr fim à tranqueira na Zona Sul:

– A obra melhorou bastante a mobilidade no sentido bairro-Centro. A partir do viaduto, o tempo de viagem se reduziu em até 10 minutos.

Negativo

Há duas reclamações predominantes. Uma vem de motoristas que se deslocam no sentido Centro-bairro (oposto ao do viaduto). Embora a Beira-Rio tenha sido duplicada, o trânsito afunila nas proximidades da Fundação Iberê Camargo e, em horários de pico, fica lento. A outra reclamação vem de moradores do Condomínio Canadá, na Avenida Pinheiro Borda. Eles reivindicam uma faixa de segurança perto da nova estrutura. A cadeirante Ângela Mara Pates, 40 anos, diz ter medo de atravessar a via para ir até a parada de ônibus, que ficou mais longe com a obra:

– Simplesmente esqueceram dos pedestres.

Expectativa

Entidades de moradores da Zona Sul estão na batalha por novas obras. Uma das prioridades, segundo Jacqueline Custódio, presidente do Centro Comunitário de Desenvolvimento da Tristeza, Pedra Redonda e Vilas Conceição e Assunção, é a duplicação de toda a Wenceslau Escobar. Jorge Paz Estácio, da Ambi, cita ainda o alargamento da Coronel Marcos e a busca de solução para os congestionamentos na Tramandaí.

 
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