Legado da Copa

O que está em ritmo lento: viaduto da Bento

Mundial colocou o poder público diante de uma oportunidade única: redesenhar cidades-sede para melhorar a mobilidade urbana. Passado o torneio, projetos deixam aprendizados para a Capital

13/07/2014 | 06h02
O que está em ritmo lento: viaduto da Bento Diego Vara/Agencia RBS
Quando estiver pronto, elevado sobre a Bento Gonçalves vai melhorar o fluxo da Terceira Perimetral Foto: Diego Vara / Agencia RBS

O prazo de conclusão era junho de 2012, mas a ordem de início dos trabalhos só foi assinada em agosto do mesmo ano. Agora, a entrega está prevista para dezembro. O viaduto, na Terceira Perimetral, sobre a Bento, terá 500 metros, com um trecho de dois pisos em que carros irão trafegar em uma pista mais alta e ônibus, em outra mais baixa. Problemas com os repasses da Caixa prejudicaram o cronograma. A prefeitura investiu recursos próprios, mas, quando priorizou o Complexo Beira-Rio, os aportes foram suspensos e a obra praticamente parou por 90 dias.

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A burocracia pública
As dimensões do viaduto exigiram que a construção avançasse sobre uma área da União, em uso pelo 3º Regimento de Cavalaria de Guarda, do Exército, na Rua Dr. Salvador França, próximo à Igreja São Jorge. O Exército recuou a sua propriedade para permitir a instalação de pilares do empreendimento. Mesmo sem conflito, a negociação de desapropriação e indenização se desenrolou entre março de 2012 e maio de 2013. Parte da obra ficou engessada nesse período.

O que falta pagar
O termo de cessão e posse da área do Exército foi assinado em maio de 2013, liberando a continuidade de obra nesse setor. A prefeitura já pagou R$ 2,1 milhões em indenizações pelas benfeitorias. Ainda está pendente o valor do terreno, R$ 1,8 milhão. O legado do viaduto será melhorar o fluxo do corredor da Terceira Perimetral. No entroncamento com a Bento Gonçalves, sinaleiras de três tempos tornam o tráfego pesado. O local também registrava muitos casos de atropelamento. Os índices de congestionamento e acidentes devem reduzir.

IMPACTO SOCIAL

Positivo

Reivindicada há anos, a obra é uma promessa de alívio para quem cansou dos engarrafamentos diários e do estresse ao volante. Morador da região desde 1977, o aposentado Gerolimo Carlos Adamatti, 72 anos, não só acompanha de perto a evolução do gigante de concreto, como foi testemunha da abertura da Terceira Perimetral, finalizada em 2006. Ele lembra que, naquela época, o viaduto já era uma necessidade.

– A obra vai resolver um problema que deveria estar solucionado há muito tempo. Chega com atraso, mas o que importa é que está andando – diz Adamatti.

Negativo

A obra é motivo de incômodo para quem vive e trabalha nos arredores. O atraso aumenta a ansiedade. O pó e o barro causam transtornos, mas o que mais preocupa são os prejuízos.

Dono de um restaurante no local, Jaime de Vargas, 47 anos, viu o movimento cair 50% desde o início da construção. Como Vargas, o chaveiro Cláudio Assunção, 54 anos, também registra perdas. Ele mantém uma banca que fica ao lado do canteiro de obras.

– Mal consigo vender 10 chaves por dia. Sei que vai ser bom para o trânsito, mas, por enquanto, está atrapalhando a vida de todo mundo – afirma Assunção.

Expectativa

A torcida é pela finalização da obra até dezembro, sem o risco de novos atrasos. Moradora da região, a aposentada Onira Lanza, 72 anos, tem ainda um outro desejo: que o viaduto fique bonito e contribua para melhorar o visual da cidade.

A garçonete Vanessa Pujol, 24 anos, espera por melhorias na iluminação pública junto ao empreendimento. Segundo Vanessa, a área no entorno ficou mais escura e mais perigosa com a intervenção.

Mas, para quem dirige pela Terceira Perimetral, onde nasce o viaduto, a expectativa vai além da plasticidade da estrutura e da conclusão dentro do novo prazo estabelecido. Motoristas reivindicam obras para reduzir a tranqueira mais adiante, no entroncamento com a Avenida Ipiranga.

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