Primatas procurados

Smam pede ajuda da população para encontrar bando de macacos em Porto Alegre

Secretaria investigará as causas do deslocamento dos animais vistos na zona norte da Capital

06/08/2014 | 17h00
Smam pede ajuda da população para encontrar bando de macacos em Porto Alegre  Cláudia Enk de Aguiar,Ibama/Divulgação
Animal será encaminhado a um criadouro antes de ser devolvido à natureza Foto: Cláudia Enk de Aguiar,Ibama / Divulgação

Um macaco atravessando uma grande avenida pode ser uma cena de um clássico cinematográfico. Ou mais um dia em Porto Alegre.

Desde o final de julho, um grupo de primatas protagoniza incursões em vias da zona norte da capital gaúcha. De acordo com informações da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam), eles já andaram mais de quatro quilômetros, passando por vias como Irmãos Maristas, Plínio Kroeff e Baltazar de Oliveira Garcia.

Depois de algumas tentativas fracassadas, incluindo um lançamento de dardos tranquilizantes, Smam e Ibama conseguiram capturar um dos macacos-prego que perambulam pela cidade nesta quarta-feira. Ele caiu em um armadilha instalada no pátio de uma casa no bairro Sarandi, perto da Avenida Sertório.

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— É um macho jovem, de cerca de quatro anos. Estava agitado, mas não apresentava ferimentos. Agora queremos saber o que o fez deixar seu ambiente natural — explica o veterinário responsável pela triagem de animais do Ibama, Paulo Wagner.

O macaco caberia na palma da mão de um king kong: mede cerca de 40 centímetros, e é da espécie Sapajus nigritus, nativa do Rio Grande do Sul. Na segunda-feira, um animal da mesma espécie tinha sido visto em uma praça em frente à Escola de Ensino Fundamental Itamarati, no bairro Sarandi, causando alvoroço entre alunos, pais e professores.

— Quando fui buscar meu menino, três crianças disseram que tinha um macaco na praça. Olhei para cime e vi um macaco-prego, pulando de galho em galho, muito agitado. Fiquei com pena dele. Com a movimentação, fugiu pelo telhado da escola _ conta a dona de casa Sandra Aparecida da Silva, 43 anos.

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Após receber cuidados, um chip e ter material genético coletado pelo Ibama, o primata capturado será encaminhado para um criadouro em Santa Maria, onde será ambientado com outros macacos antes de ser devolvido à natureza. O destino do grupo será uma área monitorada pelo instituto no interior de Canela, na serra gaúcha.

Enquanto isso, profissionais contam com a ajuda da população para encontrar os outros três integrantes do bando de seis — dois teriam morrido — que foram vistos na Zona Norte nas últimas semanas. Isso porque os animais, que se deslocam rapidamente, já podem estar em outros bairros da cidade.

— Precisamos que quem os visualize entre em contato conosco, não tente capturar nem alimentar os animais — pede Soraya Ribeiro, coordenadora da equipe de fauna silvestre da Smam.

O paradeiro dos primatas pode ser informado pelo número 3289-7517. A secretaria investigará quais possíveis distúrbios ambientais podem ter forçado o deslocamento dos macacos-prego.

— Esses animais não entrariam na cidade sem ter acontecido algum distúrbio. Se viviam no lugar onde imaginamos, próximo ao Morro Santana, podem ter sido afastados pelos desmatamentos que têm ocorrido com frequência, em função de construções — acredita o veterinário Paulo Wagner.

Macaco caiu em armadilha do Ibama nesta quarta-feira
Foto: Sérgio Loruz, Divulgação

Conheça três mitos sobre macacos:

1. Quando mostram os dentes, eles estão sorrindo

Ao contrário dos seres humanos, macacos não mostram os dentes para expressar contentamento. Em geral, suas expressões são um alerta: "não se aproxime", é como deve ser entendido.

2. Eles só comem banana

Macacos se alimentam de diversas frutas e sementes. A banana é a mais usada quando estão em cativeiro, mas não é recomendado alimentá-los, segundo o veterinário Paulo Wagner.

— As pessoas acham que eles estão sempre com fome, mas são capazes de conseguir o próprio alimento.

3. Macacos gostam de macaquices

A reação das pessoas diante de primatas, de espontânea interação, não é apreciada da mesma maneira pelos animais. Segundo Wagner, o excesso de estímulo estressa o animal em vez de diverti-lo.

— As pessoas reagem aos macacos de forma exacerbada. Boa parte dos trejeitos deles são expressões de estresse, mas muita gente interpreta o contrário, e acaba surpreendido com uma reação violenta, como uma mordida.

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