Patrimônio da cidade

Pedaços desaparecidos do monumento mais antigo de Porto Alegre podem estar na Redenção

Exame de ultrassom vai possibilitar uma avaliação sobre o estado da obra

08/10/2014 - 16h04min | Atualizada em 08/10/2014 - 19h48min
Pedaços desaparecidos do monumento mais antigo de Porto Alegre podem estar na Redenção Ronaldo Bernardi/Agencia RBS
Às 12h50min desta quarta-feira, a primeira estátua removida, a que representa o Rio Caí, foi colocada em seu novo local, na Hidráulica do Moinhos de Vento Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS  

Faltam braços, mãos e outros pedaços das quatro estátuas de mármore que compõem Guaíba e Afluentes, o monumento mais antigo de Porto Alegre, de 1866, mas não há previsão de que sejam refeitos. A esperança é encontrar pelo menos alguns desses fragmentos. A arquiteta, restauradora e mestre em geologia Verônica di Benedetti, responsável pela revitalização da obra, cogita que partes dela podem estar em um depósito do Parque Farroupilha (Redenção). Os pedaços serão comparados às estátuas para verificar sua autenticidade.

— Se forem mesmo partes das estátuas, aí poderemos rever a possibilidade de recolocá-las — disse Verônica.

O monumento foi transferido da Praça Dom Sebastião, no bairro Independência (ao lado do Colégio Rosário), onde estava desde 1936, para a Hidráulica do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae), no bairro Moinhos de Vento. O objetivo é proteger a estrutura, danificada após anos de vandalismo e degradação. Ao final da tarde, a estátuas estavam instaladas no novo local. 


Foto: Bruno Marantes Sanchez/Divulgação

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Um exame de ultrassom similar ao que foi feito no monumento aos Garibaldi, na praça de mesmo nome no bairro Azenha, deverá ser realizado no Guaíba e Afluentes depois que estiver instalado nos jardins da Hidráulica. Com o exame, Verônica quer identificar até que ponto chegou a deterioração. Ao se passar a mão na obra é possível perceber a porosidade que já tomou conta de algumas partes — o que facilita a penetração de água.

A recuperação do monumento inclui limpeza e interrupção da degradação. Para isso, será preciso fechar rachaduras e fissuras que se formaram ao longo do tempo.

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A história do monumento

1866 - Criada pelo italiano José Obino, a obra Guaíba e Afluentes — também conhecida como Chafariz Imperador — é instalada no centro da Praça da Matriz. Acompanhada de uma fonte, serve para abastecer a população, que busca água no local.

1907 - O monumento é retirado da praça para que seja colocado em seu lugar a obra em homenagem a Júlio de Castilhos. Desmontada, é levada para um depósito da Cia. Hidráulica.

1924 - Uma marmoraria compra as peças para transformá-las em pó de mármore, mas surge um movimento pela sua preservação entre novembro e dezembro daquele ano, a partir da carta de um leitor de iniciais F. M. D. ao jornal Correio do Povo. Em dezembro, o intendente Otávio Rocha decide comprar o monumento de volta. No entanto, a estátua do menino que simboliza o Rio Guaíba desaparece.

1924-1936 - O plano é colocar o monumento junto ao prédio da prefeitura, mas ele acaba ficando estocado durante 12 anos em um depósito.

1936 - Finalmente o monumento é colocado na Praça Dom Sebastião

1983 - Alvo de pichações e vandalismo, a obra é retirada da praça.

1986 - A vereadora Teresinha Chaise pede que o monumento volte a público por ele representar "a mitologia aquática do Guaíba". Cogita-se sua colocação na Redenção, mas ele acaba voltando para a Praça Dom Sebastião

2014 - Sob forte deterioração e alvo de vandalismo, o monumento é transferido para uma nova fonte nos jardins da Hidráulica do bairro Moinhos de Vento, local mais protegido

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Fonte: A trajetória de um monumento na paisagem urbana de Porto Alegre (1866-2013): de Chafariz Imperador para Afluentes do Guaíba, de Cristina Gibrowski

 
 
 
 
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