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Restaurantes, bares, lanchonetes e confeitarias de Porto Alegre poderão ser obrigados a informar aos consumidores se os alimentos que comercializam contêm ou não glúten.
Se um projeto de lei aprovado por unanimidade na Câmara de Vereadores nesta segunda-feira for acatado pelo Executivo, os estabelecimentos terão de fornecer a informação em tabelas fixadas na entrada do local, em cardápios ou materiais impressos, site e por meio de identificação individual no local de exposição dos alimentos.
De acordo com o autor do projeto, vereador Thiago Duarte, o objetivo é fazer com que celíacos (pessoas que têm intolerância ao glúten) possam comer de forma segura e não precisem mais "enfrentar uma loteria na hora de escolher o que vão comer".
- Esse projeto tem como objetivo tornar pública uma informação que deveria estar sempre pública. A doença celíaca atinge um grande contingente, porque cada vez se tem mais diagnósticos - afirma o vereador.
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Para o presidente do Sindicato da Hotelaria e Gastronomia de Porto Alegre (Sindpoa), Henry Chmelnitsky, a medida foi tomada de forma isolada pelo poder público e "não conversa com a grande maioria dos micro e pequeno empresários":
- Vai ser difícil para empresários que têm uma lanchonete, por exemplo, um negócio familiar, que nem tem cardápio. Esse assunto deveria ser mais bem pensado, construído em diálogo com os empresários do ramo, para que, pelo menos, uma lei dessas já saísse com regulamentação adotada.
Para a blogueira Gilda Moreira, 51 anos, celíaca e criadora da página Cozinhando Sem Glúten no Facebook, a transformação do projeto em lei seria um "primeiro e importantíssimo passo", mas não o único.
- Não adianta apenas informar que não há glúten no alimento. É importante também que os restaurantes passem a cuidar para que não haja contaminação cruzada (que os alimentos sem glúten tenham contato com aqueles que têm), porque senão fica tudo na mesma - alerta Gilda, que também é associada à Associação de Celíacos do Brasil - Rio Grande do Sul (Acelbra-RS).
* Zero Hora