Depredação

Gastos da prefeitura de Porto Alegre com vandalismo chegam a R$ 1 milhão em 2016

Atos prejudicam população e oneram cofres públicos

Por: Fernanda Coiro
24/08/2016 - 17h15min | Atualizada em 24/08/2016 - 17h21min
Gastos da prefeitura de Porto Alegre com vandalismo chegam a R$ 1 milhão em 2016 Fernanda Coiro / Agência RBS/Agência RBS
Foto: Fernanda Coiro / Agência RBS / Agência RBS

Os gastos com atos de vandalismo contra o patrimônio público em Porto Alegre já ultrapassam R$ 1 milhão nestes primeiros oito meses de 2016. Esse valor é retirado do orçamento de cada departamento, secretaria e companhia, o que impede ampliação de serviços e investimentos. As informações são da Rádio Gaúcha.

Além disso, algumas ações interferem diretamente no dia-a-dia da população. São pichações, lixeiras queimadas, vidros de ônibus quebrados, brinquedos danificados, roubo de peças de bebedouros e monumentos, entre outros.

Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) investiu nos sete primeiros meses do ano de R$ 330.324,33 para repor e consertar todos os materiais danificados. O número preocupa, visto que durante todo o ano de 2015 foram R$ 400 mil.

Leia mais:
Grupo apedreja banco na Cidade Baixa, em Porto Alegre
Posto da BM é vandalizado em Vila Nova do Sul

Vândalos jogam coquetéis molotov na Saturnino de Brito em Santa Maria

No ranking dos principais alvos dos criminosos contra a EPTC estão elevadores, escadas e abrigos (mobiliário), com mais de R$ 221 mil; placas e suportes (gráficos), com R$ 106 mil, e botoeiras, cabos e semáforos (semafórica) com pouco mais de R$ 2 mil somente neste ano.

O gerente de mobiliário urbano e sinalização, Abaeté Torres, explica que este valor poderia ser aplicado em projetos de mobilidade e segurança. Abaeté destaca que não é só o dano material que o vandalismo provoca.

"Muitas vezes uma placa danificada, alvejada, roubada em um cruzamento pode provocar um acidente e a perde de uma vida", comenta Torres.

Ele ressalta ainda que na medida que um equipamento que visa a facilitar a acessibilidade é atingido, o prejuízo é da população que depende deste equipamento. 

Na Carris, o principal ato de vandalismo são as pedras arremessadas contra os coletivos. Até o dia 11 de agosto, a companhia gastou R$ 16.801,48 em 100 ocorrências de danos aos ônibus da Carris.

O presidente em exercício Vidal Pedro Dias Abreu, comenta que esses danos prejudicam diretamente os usuários, pois quando um ônibus tem o vidro danificado, este veículo é retido até que seja consertado.

"Não é uma coisa tão simples trocar um vidro até porque temos diferentes tipos de vidro, tem que ver se tem estoque, se é necessário comprar e enquanto não tiver vidro ele fica sem rodar", diz Abreu.

Há, no entanto, outras ações de depredação contra a Carris como cortes e quebra de bancos e pichação, porém com menor custo e incidência. Estas ações, em geral, ocorrem com mais frequências em dias de paralisações, manifestações e jogos da dupla Gre-Nal.

Já o Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) gasta metade da verba mensal destinada para manutenção de banheiros públicos - cerca de R$ 40 mil - com a depredação dos sanitários. No caso dos contêineres, quando há a queima, pichação ou quando um automóvel colide neste equipamento o prejuízo é da empresa terceirizada. Isso porque o contrato do DMLU prevê a reposição do recipiente em casos de danos.

Para se ter uma ideia, no primeiro semestre de 2015, a empresa Conesul teve  prejuízo de R$ 13.920 devido a estragos em 29 recipientes. No mesmo período de 2016, houve uma redução nos ataques a contêineres, totalizando R$ 10.350,00 relativos a 23 contêineres.

Outro problema recorrente é a depredação de lixeiras. O diretor-geral do Departamento, Gustavo Fontana, explica que, neste ano, foram compradas cinco mil cestos coletores -  destes três mil instaladas e duas mil no estoque para reposição.

"O DMLU gastou cerca de R$ 1 milhão de reais nesta aquisição", revela Fontana. O diretor destaca que se não houvesse vandalismo, o serviços nos sanitários e até investimento em outras áreas poderiam ser aperfeiçoados.

No caso da Secretaria Municipal de Obras e Viação (Smov), os casos mais comuns de vandalismo se referem à  iluminação pública. O custo para reparar as ações somente no primeiro semestre deste ano chega é R$ 40.000,00 -  metade do total gasto em todo o ano passado.

E não para por aí, a Secretaria de Cultura destina R$ 300 mil por ano para restauro e recuperação de monumentos. Já a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam) desembolsou, no último ano, R$ 500 mil em materiais para a manutenção das áreas verdes de Porto Alegre.

Deste valor, 85% são direcionados para a recuperação e restauração devido aos atos de vandalismo como mau uso de balanços, estragos das telas das quadras esportivas e quebra de bebedouros. O valor deve aumentar, pois a secretaria contratou empresa responsável pela mão de obra no valor de R$ 1,5 milhão e que deve começar a operar no mês de setembro.

Segundo a chefe da Divisão de Conservação e Manutenção (DCM), Aristela Venturini, o valor podia ser empregado pra melhorias voltadas à população.

"Temos inúmeros pedidos de reurbanização de espaços, solicitação de academias ao ar livre e que, por carência de recursos, não podemos fazer", lamenta Aristela Venturini.

Guarda Municipal que tem como atribuição garantir a segurança do patrimônio público, não consegue controlar as ações dos vândalos. De acordo com o comandante-geral da Guarda Municipal, Luiz Antônio Pithan, devido a grande demanda de trabalho e efetivo reduzido, a guarda atende as depredações a partir de denúncias.

"Mesmo que triplicasse o efetivo não seria possível estar em todas os locais, então acredito que para melhorar o investimento deve ser em o videomonitoramento", opina.  

Alguns órgãos, por sua vez, não registraram ações contra o patrimônio como é o caso da Secretaria Municipal de Esportes, Recreação e Lazer (SME), Departamento Municipal de Água e Esgotos (DMAE) e Departamento de Esgotos Pluviais(DEP). As denúncias podem ser feitas através do telefone 156.

 
 
 
Zero Hora No jornal Zero Hora você encontra as últimas notícias sobre esportes, economia, política, moda, cultura, colunistas e mais.