Reforço na saúde

Hospital Moinhos de Vento inaugura novo centro de tratamento do câncer

O espaço deve ampliar em 30% a capacidade de atendimento de pacientes da doença pela instituição

Por: Bárbara Müller
10/08/2016 - 18h44min | Atualizada em 10/08/2016 - 18h53min
Hospital Moinhos de Vento inaugura novo centro de tratamento do câncer Divulgação/Moinhos de Vento
Centro conta com equipamentos modernos, que pretendem garantir efeitos colaterais menores aos pacientes Foto: Divulgação / Moinhos de Vento

Porto Alegre conta com um novo centro especializado para o tratamento do câncer. Com o objetivo de oferecer tecnologia de ponta, um tratamento menos agressivo, mais humanizado e preciso aos pacientes, o Hospital Moinhos de Vento inaugurou, nesta quarta-feira, o Centro de Oncologia Lydia Wong Ling. O nome homenageia a matriarca da família Ling, que há mais de três décadas atua como voluntária, especialmente na Liga Feminina de Combate ao Câncer do Rio Grande do Sul.

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Em parceria com o Instituto Ling, foram reformados três andares do prédio da Rua Tiradentes, transformando a unidade em uma das mais modernas da Região Sul. O investimento na obra foi de R$ 30 milhões.O espaço deve ampliar em 30% a capacidade de atendimento. Atualmente, são mais de mil tratamentos de novos casos de câncer realizados por ano na instituição. 

O foco de atuação será no trato e no diagnóstico dos cânceres de mama, próstata, colorretal, pulmão e hematológico, mas o núcleo tem capacidade para atender a todas as variações da doença.

– Nós estamos muito contentes. É mais do que uma tecnologia, é um novo jeito de cuidar do câncer. É um modelo já conhecido no Exterior, que a gente começa a inaugurar aqui no Brasil – destaca o superintendente executivo do Hospital Moinhos de Vento, Mohamed Parrini.

Foram adquiridos três aceleradores lineares. O primeiro estará pronto para atender pacientes até o final deste mês e os outros dois entrarão em operação em até dois anos, de acordo com a direção do hospital. Para poupar áreas sadias do organismo e permitir que as sessões de radioterapia sejam mais curtas e menos incômodas, os equipamentos funcionam com uma espécie de GPS que permite localizar a lesão com precisão e melhorar a aplicação do tratamento.

– É a possibilidade de termos um tratamento mais preciso, com efeitos colaterais muito menores e com melhores resultados – enfatiza o coordenador da Unidade de Radioterapia e Radiocirurgia, Wilson de Almeida Junior.

O tratamento será realizado por equipes de cirurgiões, clínicos, oncologistas, radioncologistas e outras especialidades médicas e assistenciais. Segundo o chefe do Serviço de Oncologia, Sérgio Roithmann, a multidisciplinaridade é o maior ganho para o paciente:

– Esse novo método aumenta a chance de cura se esses profissionais estão juntos e podem discutir os casos, oferecendo novas modalidades de tratamento.Será oferecido na unidade o serviço de aconselhamento genético, para identificar e acompanhar membros de famílias com predisposição hereditária ao desenvolvimento do câncer. Esses testes de biologia molecular também permitem avaliar as características específicas de alguns tumores, orientando as escolhas terapêuticas.

Parceria internacional

Para o desenvolvimento do projeto, o Hospital Moinhos de Vento trabalhou em conjunto com a Johns Hopkins Medicine International, instituição a qual o hospital de Porto Alegre é afiliado desde 2013. Segundo a radio-oncologista e diretora do Johns Hopkins Breast Cancer Center - Green Spring Station, Fariba Asrari, esse novo método contribui para a quebra do estigma do câncer:

– É um tratamento menos agressivo, vai direto ao tumor, deixando menos sequelas ao paciente. E, à medida que um paciente vai comentando com o outro, o medo da doença, do tratamento, vai diminuindo.

A médica ainda explica que não se trata somente de uma máquina, um avanço tecnológico e, sim, da humanização do atendimento, já que há o envolvimento de diversas áreas médicas e de assistência. A ideia é que os pacientes vejam o câncer como uma etapa, e não como final de vida.

– É importante enfatizar esse novo conceito para o paciente desde o início do tratamento, com todas as especialidades envolvidas e chegando a um consenso sobre o plano de cuidado desse paciente. O nosso foco é olhar para ele de forma completa – explica Fariba.

 
 
 
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