Nau à deriva

"Rainhas do Orinoco" propõe viagem musical e bem-humorado pela América Latina

Espetáculo do diretor Gabriel Villela tem sessões no sábado e no domingo, no Theatro São Pedro

Por: Alexandre Lucchese
06/08/2016 - 06h00min | Atualizada em 06/08/2016 - 06h00min
"Rainhas do Orinoco" propõe viagem musical e bem-humorado pela América Latina João Caldas / Divulgação/Divulgação
Luciana Carnieli (foto) divide a cena com Walderez de Barros na montagem dirigida por Gabriel Villela Foto: João Caldas / Divulgação / Divulgação

O palco do Theatro São Pedro se tornará rio neste final de semana. Pelo menos será assim para Mina e Fifi, as protagonistas de Rainhas do Orinoco, duas vedetes que navegam a esmo pelas águas da América Latina. Além de divertirem a população dos locais por onde passam, as cantoras vivem peripécias e dramas com muito humor – e alguma fantasia.

– As diferenças entre os países latinos são enormes, mas, no campo da literatura, todos nós produzimos realismo mágico com uma grande competência. O que me encanta nesse texto é seu parentesco com Gabriel García Márquez – diz o diretor Gabriel Villela.

Leia mais:
4º Parada Gráfica ocupa o Museu do Trabalho neste final de semana
Morre o cantor e compositor mineiro Vander Lee, aos 50 anos 
Chico Buarque canta "Apesar de você" em ocupação. Veja o vídeo

A peça foi escrita pelo dramaturgo mexicano Emilio Carballido (1925 – 2008). O clima de fantasia perpassa desde o figurino, baseado na caracterização do dia dos mortos mexicano, até as histórias narradas pelas duas personagens, interpretadas por Walderez de Barros e Luciana Carnieli. Com o barco em plena Amazônia venezuelana, elas aos poucos recordam aventuras vividas no Paraguai, na Bolívia, na Colômbia, no Panamá e no Brasil, entre outros países.

Além da dupla, também entra em cena o acordeonista e pianista Dagoberto Feliz. Juntos, o trio interpreta clássicos do cancioneiro latino, como La Paloma, Caminito e Galopeira. As músicas diferem do texto original e foram escolhidas com base no repertório da dupla caipira Cascatinha e Inhana, atuante entre os anos 1940 e 1970. – As canções do roteiro eram muito específicas de certas regiões do continente, então resolvemos cometer essa heresia de trabalhar outro repertório – brinca Villela.

Para Walderez de Barros, apesar das diferenças culturais, há muitas semelhanças entre as vidas das protagonistas de Rainhas do Orinoco e de artistas brasileiros:– Mina e Fifi estão num barco que flutua sem rumo no rio Orinoco, mas seria tão diferente assim se estivessem no rio Amazonas? A situação delas, como artistas de teatro de variedades já meio decadentes, é tão diferente da situação de artistas brasileiras que percorrem pequenas cidades fazendo shows? Acho que a miséria é a mesma, em castelhano ou em português.

RAINHAS DO ORINOCO
Com Walderez de Barros, Luciana Carnieli e Dagoberto Feliz.
Direção: Gabriel Villela.
Sábado, às 20h, e domingo, às 18h.
Classificação: 14 anos. Duração: 90min (com intervalo de 15min).
Theatro São Pedro (Praça Marechal Deodoro, s/nº, Porto Alegre).
Ingressos: de R$ 50 a R$ 120, com desconto de 10% para sócios do Clube do Assinante. À venda em ingressorapido.com.br e pelo call center 4003-1212 (com taxa) e no Teatro do Bourbon Country (sem taxa).

 
 
 
Zero Hora No jornal Zero Hora você encontra as últimas notícias sobre esportes, economia, política, moda, cultura, colunistas e mais.