Dinheiro pelo bueiro

Técnico deve comandar Departamento de Esgotos Pluviais em Porto Alegre

Após de contratos supostamente superfaturados, prefeitura quer entregar comando do DEP para quem tem conhecimento específico na área

10/08/2016 - 05h05min | Atualizada em 22/11/2016 - 20h51min

Em meio a apurações de irregularidades no Departamento de Esgotos Pluviais (DEP), o prefeito José Fortunati está avaliando qual deve ser o perfil do novo diretor-geral. 

Os depoimentos e outras informações já reunidos nas investigações pela Procuradoria-Geral do Município (PGM) apontam para a importância de o órgão ser comandado por um técnico. Na mão de gestores ligados à política nos últimos 16 anos, o DEP se tornou um emaranhado de serviços sem controle efetivo, muitas vezes guiados por interesses de partidos.

— Independentemente de ser técnico ou não, o importante para a prefeitura e para a cidade é que o titular de cada pasta esteja apto e desempenhe de forma correta e ética as suas funções — explicou Fortunati ao ser questionado por ZH sobre a necessidade de técnicos comandarem áreas que exigem conhecimentos específicos.

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As investigações em andamento foram determinadas pelo prefeito em julho, depois de Zero Hora publicar uma série de reportagens revelando que o DEP pagava pela limpeza de bueiros que não existiam e que havia descontrole na fiscalização de serviços. 

Com a revelação, o então diretor-geral, Miguel Barreto (PP), e o seu adjunto, Francisco Mellos (PMDB), pediram afastamento dos cargos pelo período das apurações, ou seja, seria temporário. Fortunati vai aguardar a conclusão do trabalho da PGM para decidir sobre a direção, mas a expectativa é de que os dois afastados não retornem.

A última vez que o DEP esteve sob gestão de um engenheiro foi entre janeiro de 1999 e janeiro de 2001. 

Desde então, agentes ligados a partidos têm comandado o departamento. Neste período, o diretor que mais tempo ficou no cargo (2005-2012) foi Ernesto Teixeira (PMDB), contador e com formação em administração de empresas vinícolas. Depois, entrou Tarso Boelter (PP), que estudou Sociologia e saiu do DEP para concorrer a uma vaga na Câmara de Vereadores. 

Miguel Barreto (PP), agente aposentado da Polícia Federal assumiu a direção em março deste ano e se afastou em julho. O departamento está agora sob o comando interino do procurador-adjunto do município, Lieverson Perin.

Um comando técnico para o órgão é defendido por entidades de classe e pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-RS). Para o Crea, o DEP deveria, inclusive, se tornar uma diretoria dentro do Departamento Municipal de Águas e Esgotos (Dmae).

— Existem redes mistas na cidade, parte de responsabilidade do DEP e parte, do Dmae. A população se confunde, não sabe de quem é o problema. Se o DEP fosse absorvido, haveria enxugamento da parte burocrática e administrativa e os recursos técnicos seriam direcionados para facilitar o atendimento à sociedade — afirma Melvis Barrios Junior, presidente do Crea-RS.

Direção pediu afastamento

A direção do DEP pediu afastamento depois que denúncias de superfaturtamento em cobrança de limpeza de bueiros foram divulgadas por reportagem de Zero Hora.

O diretor-geral, Miguel Barreto, e o diretor-adjunto, Francisco Mellos, entregaram carta ao prefeito José Fortunati.

— Entendo como um gesto de grandeza dos dois, permitindo que se faça uma apuração sem dúvidas e sem sobressaltos — ressaltou o prefeito.

 
 
 
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