Eleições 2016

Cercar a Redenção divide candidatos a prefeito de Porto Alegre

Maioria dos concorrentes avalia que população deve ser consultada antes de tomar decisão

16/09/2016 - 02h06min | Atualizada em 16/09/2016 - 02h06min
Cercar a Redenção divide candidatos a prefeito de Porto Alegre Carlos Macedo/Agencia RBS
Custo de fazer um plebiscito sobre isolar ou não o parque Farroupilha foi estimado em R$ 160 mil Foto: Carlos Macedo / Agencia RBS

Na série de reportagens Vida Real, ZH provoca os candidatos à prefeitura da Capital a se posicionarem de forma clara sobre assuntos controversos.

Tema polêmico e debatido há mais de 20 anos, o cercamento do Parque Farroupilha, a Redenção, divide opiniões não apenas entre os porto-alegrenses, mas, também, entre os candidatos a prefeito da capital gaúcha. Cinco postulantes disseram ser contra a medida, dois a favor (um propõe o isolamento parcial) e dois evitaram se posicionar. A maioria defendeu a necessidade de consultar a população a respeito do assunto.

No ano passado, a Câmara de Vereadores aprovou projeto que prevê a realização de plebiscito sobre o cercamento da área de 37,5 hectares, que abriga 38 monumentos e cerca de 10 mil árvores. Inicialmente, a ideia era que a consulta popular ocorresse nas eleições deste ano. Pesquisa do instituto Index, em abril de 2015, mostrou que o isolamento era apoiado por 56% dos frequentadores, enquanto 43% eram contrários.

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O Tribunal Regional Eleitoral chegou a ser consultado sobre custo – estimado em R$ 160 mil – e procedimentos necessários, mas, conforme o órgão, "após o relatado, não houve mais qualquer tipo de contato ou manifestação da Câmara Municipal em relação ao tema". Procurada pela reportagem, a assessoria do Legislativo informou que ainda estuda a viabilidade financeira para o plebiscito.

Quem defende o cercamento da Redenção aponta a segurança como principal justificativa para a medida. São registradas cerca de cem ocorrências por mês – especialmente roubos de celulares e bicicletas, conforme a 10ª Delegacia da Polícia Civil. Para o vendedor de churros Rodrigo Hindrichson, 39 anos, o isolamento do parque reduziria a criminalidade no local, o que poderia colaborar para atrair mais frequentadores e, assim, resultar em aumento nos negócios – o doce é vendido por sua família no local há três décadas.

– É comum ver gente sendo assaltada por aqui – relata Hindrichson.

Já os que são contrários à ideia de construir um muro reclamam do alto custo e da privação de uso do espaço público. Frequentadora do parque desde a juventude, a aposentada Noeli Aguiar, 86 anos, costumava levar os filhos para andar de bicicleta na Redenção. Hoje, pelo menos uma vez por semana, vai ao parque auxiliada pela cuidadora Líria Cardoso, 50 anos. Ela não gosta da ideia de cercar o parque:

– A Redenção é a coisa mais maravilhosa. Se fecha, parece que tira a liberdade das pessoas.

A opinião de cada um

O senhor é contra ou a favor do cercamento de parques da Capital, como a Redenção? Por quê?

Fábio Ostermann (PSL)
No caso da Redenção, precisa ter uma discussão mais ampla com a comunidade, mas acho que a mera estratégia de iluminar não vai dar conta dos focos de criminalidade e de depredação que se alojam no interior da Redenção. Então, talvez seja necessário a gente fazer o cercamento de certas áreas (do parque), que acabam se tornando nascedouros de criminalidade.

João Carlos Rodrigues (PMN)
Gostaria de discutir isso com a iniciativa privada, os servidores públicos e a sociedade porto-alegrense. É preciso achar um ponto de equilíbrio para resolver esse impasse de uma vez por todas. A gente sabe que isso envolve várias questões. Não dá para ser irresponsável e dizer se é contra ou a favor sem ter uma justificativa.

Julio Flores (PSTU)
Sou a favor daquilo que os conselhos populares decidirem. Acho que esse tipo de coisa a gente tem de colocar na mão da população a definição. Particularmente, acho que o cercamento não seria adequado. Mas essa é apenas a minha opinião, que submeteria aos conselhos populares.

Luciana Genro (PSOL)
Temo que o cercamento possa ser uma armadilha e, a partir do cercamento, se coloque a pessoa em um risco maior, porque se ela está lá dentro e não tem como sair. Então, pode ficar presa numa armadilha. Mas seria a favor da realização do plebiscito, que acabou sendo adiado. Sou contra, mas colocaria a decisão para população.

Marcello Chiodo (PV)
Sou contra o cercamento físico. Acho que pode ser só o eletrônico. Minha ideia é colocar zeladoria nas praças. É um projeto de quando fui vereador, e ainda não está em atividade. A proposta é colocar um cidadão, voluntário ou pago pela associação de bairro, para cuidar dos parques e das praças.

Maurício Dziedricki (PTB)
Sou a favor do cercamento. Acredito que essa medida é importante, pois é uma forma de conferir mais segurança aos usuários, além de zelar pelo patrimônio público.

Nelson Marchezan Jr. (PSDB)
Não tenho nenhum preconceito a respeito dessa medida. Porém, acho válido e necessário estudar caso a caso. Sobre o Parque da Redenção, ainda não tenho essa análise. Não conversei sobre isso com a Brigada Militar nem com a Polícia Civil.

Raul Pont (PT)
A Redenção, especificamente, não. Mas há outros parques que já são cercados e não vejo problema, como o Germânia. Acho que para parques urbanos integrados em um bairro, que são áreas de intersecção, de cruzamento, de convívio permanente dos vizinhos e dos moradores, não cabe o cercamento.

Sebastião Melo (PMDB)
Sou contra. Imagina: vamos cercar a Redenção. E aí? Que tipo de muro? Que altura? Vai pegar um tecido urbano e criar um gueto? Com um muro, tem de colocar seis entradas e, nessas seis entradas, seis guardas. O que sou favorável e está acontecendo é o cercamento eletrônico, além de colocar a ronda dos guardas.

 
 
 
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