Tradicionalismo

Variedade de cuias é atração no Acampamento Farroupilha

A passarela não é só para vestidos de prenda e bombachas. No Acampamento Farroupilha, a ordem também é matear com estilo 

Por: Jéssica Rebeca Weber
20/09/2016 - 04h03min | Atualizada em 20/09/2016 - 19h45min

Os conquistadores europeus que chegaram ao Brasil encontraram índios guaranis tomando uma bebida quente com um canudo de taquara em um pequeno porongo repartido. Séculos se passaram, e os gaúchos mantêm a tradição do chimarrão, só que agora o recipiente que passa de mão em mão pode ser amarelo, azul, rosa e até estampado.

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Basta dar uma volta pelo Acampamento Farroupilha, evento que se encerra hoje no Parque da Harmonia, para verificar a diversidade de cuias, o que possibilita sorver o mate cada vez com mais estilo. O autônomo Valdemir Sanini, 52 anos, andava lentamente pelos corredores entre as lojas apreciando alguns porongos talhados à mão.

— É muita beleza — observou.

Há modelos para todos os gostos, e há preços para todos os bolsos: na loja do artesão Eduardo Benites, as cuias custam, literalmente, de R$ 8 a R$ 80. As tradicionais do Inter e do Grêmio ainda saem bastante, mas, atualmente, são as femininas — coloridas e com estampas fofinhas — que têm maior demanda, conforme os vendedores. E ainda é possível encontrar modernidades como "piercings" de bomba a R$ 15: adereços com pingentes em formato de cavalo, santas e outras figuras.

O preço da erva-mate também é um dos fatores que estão sendo avaliados na hora de escolher a cuia. De acordo com o vendedor Jurandir de Oliveira, a maior parte da clientela anda procurando modelos menores, no intuito de economizar.

Coleção de respeito reunida ao longo de mais de 15 anos

Em uma prateleira que avança em três paredes do piquete Maragatos da Zona Sul, é possível encontrar uma amostra da coleção de cuias de Oberon Silva dos Santos, 63 anos.

— Não couberam todas — comentou o aposentado, que guarda as relíquias em um galpão junto a sua casa, no bairro Cavalhada.

O hábito de juntar diferentes modelos surgiu há mais de 15 anos, estima o tradicionalista, e hoje ele tem mais de 200. Embora diga que não consegue apontar uma preferida — todas são "sua paixão" —, escolhe uma torneada em madeira com a ponta em alumínio para mostrar à repórter. Foi a primeira cuia de sua coleção, onde ele mesmo escreveu, com a ponta de uma faca, o seu nome, o da esposa e o dos quatro filhos dentro de corações. 


 
 
 
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