Culinária campeira

Veja cinco comidas gaudérias que fazem sucesso no Acampamento Farroupilha 

Durante os festejos da Semana Farroupilha, nem tudo é churrasco. Veja os quitutes mais procurados no Parque da Harmonia 

Por: Jéssica Rebeca Weber
13/09/2016 - 04h04min | Atualizada em 15/09/2016 - 00h26min

Mais árduo do que nadar de poncho. Mais complicado do que dormir de espora sem rasgar o lençol. Fica nesse nível de dificuldade conseguir manter a dieta ao visitar o Acampamento Farroupilha. Seja na praça de alimentação ou nos piquetes, há um cardápio variado para se esbaldar no café da manhã, no almoço, no lanche e na janta sem sair do Parque da Harmonia.

— A Semana Farroupilha ainda vai acabar comigo. Tem tanta coisa interessante que a gente não quer perder nada — afirma a policial rodoviária federal Carine Martins, 38 anos.

Além de saborear, também é possível participar do projeto Turismo de Galpão e aprender a fazer churrasco, arroz carreteiro e até iguarias mais inusitadas da cultura gaúcha, como paçoca de pinhão. Parte das oficinas de comida é gratuita, e o valor máximo cobrado é de R$ 20. As inscrições são realizadas no Espaço de Hospitalidade, perto do Centro de Eventos do Harmonia.

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Na tarde de segunda-feira, a reportagem caminhou pelo Acampamento Farroupilha em busca de alguns dos quitutes mais procurados, pegando também dicas dos cozinheiros. 

Bolinhos de chuva da dona Graça

Foto: Carlos Macedo / Agencia RBS

No Piquete Lendas do Sul, Maria da Graça Spindola, 61 anos, chega a vender, por dia, mais de 500 bolinhos de chuva — que de "inhos" não têm nada. Já faz quase duas décadas que ela serve os quitutes no acampamento. Lembra que o bolinho tem o poder de "prender" em casa a criançada em dias de chuva, mas, no Acampamento, é sucesso garantido seja qual for a vontade de São Pedro. Graça diz que a receita que aprendeu com a sogra "não tem segredo nenhum".

Ingredientes:

– 1 kg de farinha, 12 ovos, 3 colheres de fermento, 200g de açúcar, leite.

Modo de preparo:

– Em uma vasilha, junte todos os ingredientes e use o leite até dar o ponto "de pão de ló" – tem de ficar firme e não pode escorrer da colher. Utilize uma lata de óleo para fritar e, quando retirar, coloque açúcar e canela em cima.

Costelão 12 horas o dia todo

Foto: Carlos Macedo / Agencia RBS

O churrasco é o carro-chefe do Acampamento Farroupilha, e não falta oportunidade para apreciar um costelão 12 horas seja almoço ou jantar — há alguns piquetes que oferecem o prato, especialmente nos finais de semana, sem contar os restaurantes e lancherias dentro do Harmonia. Atamil Marques, 47 anos, churrasqueiro do Costelão, conta que passa o dia assando, e às 2h já recomeça. As porções ali custam a partir de R$ 85, servindo três pessoas, segundo Atamil.

— E a maioria leva para viagem — afirma.

O segredo do costelão está no tempo (como já antecipa o nome, não é indicado apressar o processo) e no sal grosso, de acordo com o churrasqueiro. Também é necessário assar em fogo brando.

Sagu do Piquete Fortaleza Pampeana

Foto: Carlos Macedo / Agencia RBS

Neto de imigrantes italianos, Luiz João, 57 anos, é quem faz o vinho artesanal utilizado no sagu que sua esposa, Rosane Toazza, 50 anos, prepara no Piquete Fortaleza Pampeana. Por isso, a dona de casa garante:

— Igualzinho a esse, não vai existir. Só o meu mesmo.

Apaixonada por culinária, Rosane destaca que a graça da tradição gaúcha está justamente na junção de várias culturas.

— É uma mistura de costumes: cada um vai trazendo um pouquinho e vai agregando. Fica uma coisa linda. Fazer sagu é super simples — diz Rosane, para quem o cravo e a canela dão o toque especial.

O piquete não costuma vender regularmente a sobremesa, mas quem ficou com água na boca poderá experimentá-la na oficina gratuita de sábado, às 17h.

Ingredientes:

-1 litro de vinho, 1 litro de água, 4 cravos, 2 canelas em pau, 1/2 pacote de sagu, 1 xícara de açúcar.

Modo de preparo:

-Em uma panela, coloque o vinho, a água, o sagu, os cravos e a canela. Quando as bolinhas estiverem cozidas (transparentes), coloque o açúcar e mexa até ele desmanchar. O tempo de preparo é de 30 a 40 minutos.

Pastel de carreira de Valter

Foto: Carlos Macedo / Agencia RBS

Vem de Caçapava do Sul uma das receitas mais populares do Acampamento. A mãe de Valter Xavier Santos, 70 anos, preparava o pastel como lanche para a família nas canchas de carreira de cavalos do Interior. O filho seguiu a tradição, e hoje o vende no Piquete Panela de Gancho e para mercados, a fim de aumentar a renda de aposentado.

Para quem gosta de carne, não tem como dar errado. Na receita vai vazio ou picanha, calabresa, bacon, tempero verde e ovo cozido.

Valter exibe, orgulhoso, a novidade desse ano: o pastel ao vento, com verduras e legumes como protagonistas — mas, ainda sim, com carne na receita.

— Não é pastel de vento — apressa-se em explicar, afirmando que o tamanho do lanche, que parece "inchar", inspirou o nome.

Ingredientes:

- 1kg de farinha, 3 ovos, 2 colheres de manteiga, 1 colher de fermento, 1/2 colher de sal, 2 colheres de açúcar, leite e água morna, 1 colher de aguardente ("o segredo para ficar crocante"), 800g de carne cortada à faca (sobra de churrasco, vazio ou carne de paleta sem osso), 300g de bacon picado miudinho, 300g de linguicinha calabresa, 1 cebola de tamanho médio, 3 dentes de alho, tempero verde.

Modo de preparo:

-Ao fazer a massa, tanto faz a ordem dos ingredientes. Depois de sovar bem e abrir, acrescente a mistura do recheio, prepare os pastéis e frite.

Café de chaleira dos tropeiros

Foto: Carlos Macedo / Agencia RBS

Tão saboroso como o gosto do café de chaleira é o ritual para fazê-lo. Anderson de Andrades, patrão do piquete Sangue Nativo, 34 anos, primeiro acende o fogo de chão, então pendura a chaleira de ferro em uma corrente sobre a chama. Quando a água ferve, despeja o café em pó (quatro colheres para um litro de água) e mergulha um pau em fogo para fazer a borra descer ao fundo da chaleira. É essa imersão da madeira que dá um toque diferente ao sabor, promovendo também a tradição gaúcha.

— É o café que os tropeiros faziam. Não precisa de muitos utensílios ou requinte — conta.

Anderson ensina a preparar a bebida (que é chamada de café de cambona quando, em vez de chaleira, é feita em uma lata) na oficina de café campeiro, que ocorre na quinta-feira, oferecendo também cuca, queijo, salame, cueca virada, aipim e outros pratos. 

 
 
 
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