Porto Alegre 

Cettraliq promete retirada de resíduos em 2016 e diz acreditar em revogação de interdição

Engenheiro químico da empresa concedeu entrevista à Rádio Gaúcha

Por: Bruna Vargas
01/12/2016 - 15h46min | Atualizada em 02/12/2016 - 06h13min
Cettraliq promete retirada de resíduos em 2016 e diz acreditar em revogação de interdição Bruno Alencastro/Agencia RBS
Foto: Bruno Alencastro / Agencia RBS

Seis meses depois de terem início as alterações no cheiro e no sabor da água da Capital, que perdurariam por mais de três meses, a empresa Cettraliq — principal suspeita de ter causado o problema — segue afirmando não ter relação com o fato. Diz, também, acreditar na revogação da interdição determinada pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), ocorrida em agosto.

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Desativada desde que o órgão estadual suspendeu as atividades por emissão de odores acima do permitido, a companhia começou, em novembro, a retirada dos resíduos armazenados no local, determinada pela Justiça há mais de dois meses. Segundo o engenheiro químico da Cettraliq, José Carlos Bignetti, o atraso nos trabalhos se deveu a um impasse entre a central que teria sido indicada pelo órgão ambiental para receber os resíduos e a empresa. A remoção, que está sendo realizada pela empresa Essencis, de Santa Catarina, deve ser concluída neste mês. 

Veja a entrevista com o engenheiro químico José Carlos Bignetti, da Cettraliq

A retirada dos resíduos da planta da Cettraliq devia ter sido concluída em novembro, o que ainda não foi feito. Por que o atraso?
Nós tivemos um impasse com a empresa que havia sido indicada pela Fepam, a Cetel (que trata os resíduos da General Motors, em Gravataí). Eles não chegaram a dizer que não, mas pediram amostras, precisavam de mais tempo para avaliar, e nós não tínhamos esse tempo. Então elaboramos outro plano de remoção (que está em análise pela Justiça), com uma central de Santa Catarina, e começamos a retirar os resíduos em 16 de novembro. Estamos tentando seguir à risca o cronograma. Até o fim de dezembro, deve estar tudo concluído.

Quanto já foi removido dos resíduos armazenados na Cettraliq?
No total, foram cerca de 27%. Dos 2,6 mil metros cúbicos, 1,9 mil ainda estão lá. Mas uma das lagoas já foi completamente esvaziada, agora só falta a limpeza, que será feita pela Cettraliq. O que ficar de resíduos sólidos e líquidos desse processo também será encaminhado para o tratamento adequado.

O odor no entorno da empresa persiste, apesar de estar mais ameno...
E vai continuar persistindo, porque esse cheiro não provém de lá. Nunca tivemos esse odor no interior da empresa, só do lado de fora. Se fosse de lá, deveria piorar agora, que estão movimentando os resíduos.

Mas Fepam e Ministério Público, que faziam visitas regulares à Cettraliq, disseram que o cheiro provinha da planta.
Acho que a razão pela qual nos vincularam é porque alguém tinha de ser um boi de piranha. Alguém tinha de pagar o pato. Nenhuma análise da Fepam identificou nada fora do padrão, que é estabelecido pelo próprio órgão. Se a empresa atende aos padrões, não está prejudicando o ambiente. E tem mais uma coisa. Quando a empresa foi paralisada, o Departamento de Esgotos Pluviais (DEP) executou uma limpeza das redes na região. Como provar que foi uma ou outra coisa (que provocou a melhora da água)?

A Cettraliq despejava na Casa de Bombas da Trensurb, perto do ponto de captação do Dmae. O senhor acredita que não tem nenhum tipo de contribuição com o que ocorreu?
Sim. A Casa de Bombas número 5 do DEP também não recebe só água da chuva. Ela está cheia de contribuição de esgoto cloacal, bombeando para o Guaíba. Mas é mais fácil culpar uma empresa do que reconhecer os problemas.

Como o senhor acredita que deve terminar o processo (a empresa é ré uma ação civil pública movida pelo Ministério Público e pelo Departamento Municipal de Água e Esgotos – Dmae)?
A gente acredita que, dentro da ação, a decisão da interdição vai ser revogada. Não há, nem houve, em nenhum momento, relação da empresa com a alteração no cheiro e no gosto da água.

Caso a interdição seja revogada, a Cettraliq pretende reabrir a planta em Porto Alegre?
Essa decisão ainda não foi tomada. Mas você pode imaginar o quanto essa empresa seria visada se voltasse a operar? Por enquanto, estamos focados em resolver a questão dos resíduos. 

CONTRAPONTOS

- A promotora de defesa do meio ambiente Ana Marchezan afirma que a posição do Ministério Público está "plenamente exteriorizada" na ação ajuizada pelo órgão, que tem como uma das rés a Cettraliq: "Nós entendemos que a nossa ação foi muito acertada, tanto que, a partir do momento em que a empresa parou de lançar seus efluentes no Guaíba, cessaram os episódios de alteração de odor e gosto na água de Porto Alegre. Para nós, não existe evidência maior do que essa".

- O Dmae, por meio de sua assessoria de imprensa, enviou o seguinte pronunciamento: "O Dmae considera encerrado o episódio das alterações de cheiro e de gosto na água de Porto Alegre desde que a empresa foi interditada e a água voltou ao normal. E lembra que uma ação civil pública, em conjunto com o Ministério Público, está em tramitação para tirar as dúvidas que a empresa ainda tem sobre o fato de ter sido ela a causadora daquele transtorno a que a população de Porto Alegre foi submetida entre os meses de maio e agosto passados".

- A Fepam preferiu não se manifestar.

 
 
 
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