BikePoa

Após melhorias, uso de bicicletas de aluguel aumenta 84% em Porto Alegre 

Com mais estações e bikes mais novas, usuários elogiam serviço, mas vandalismo ainda causa problemas

10/02/2017 - 11h38min | Atualizada em 10/02/2017 - 13h02min

O número de viagens realizadas por usuários do BikePoa, em Porto Alegre, aumentou 84% entre setembro e dezembro de 2016, após o serviço de aluguel ser qualificado e ampliar o número de bicicletas. Em setembro, foram realizadas 12 mil viagens. Já em dezembro, 23 mil, superando com folga a marca do mesmo mês em 2015, quando foram registradas menos de 10 mil.

Mesmo com elogios ao serviço, usuários alertam para problemas que persistem. Apesar da disponibilidade de bicicletas mais novas e em maior quantidade, ainda há falta de equipamentos em horários de grande procura. Além disso, o reposicionamento de algumas estações para pontos mais seguros não foi capaz de proteger os equipamentos dos atos de vandalismo.

Foto: Arte ZH / Agência RBS

— Às vezes, tenho de andar duas ou três estações para encontrar uma bicicleta. Porque, apesar de o aplicativo quase sempre marcar que uma bike está disponível, quando a gente chega percebe que ela está com o pneu furado. Esses dias, na estação do Tesourinha, fiquei feliz porque havia quatro bicicletas. Fui até lá, e todas estavam sem os bancos — afirma a técnica em química Cristina Grespan, 28 anos, que utiliza o serviço diariamente para ir do Menino Deus, onde mora, para o local onde trabalha no Centro Histórico.

Após a renovação do contrato com a prefeitura em maio de 2016, a empresa responsável pela manutenção do serviço, a Serttel, tinha quatro meses para fazer as seguintes melhorias: disponibilizar 400 bicicletas em circulação (antes, a exigência era de 280 bikes), equipadas com iluminação dianteira e traseira, além das 40 estações em funcionamento, todas elas com wi-fi. 

De acordo com a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), todas as melhorias acordadas no novo contrato foram cumpridas pela empresa — com exceção de uma estação, que foi retirada das proximidades do bar Opinião, na Cidade Baixa, e deve ser recolocada nas dependências do supermercado Nacional, na Aureliano de Figueiredo Pinto.

Conforme o órgão, a indisponibilidade de bicicletas nos horários de maior movimento (início da manhã e fim da tarde) deve-se ao aumento no número de viagens realizadas pelos usuários após a qualificação do serviço. O que não se justifica, de acordo com a arquiteta Alessandra Both, gerente de Projetos e Estudos de Mobilidade da EPTC, é a continuidade do vandalismo.

— Houve uma retomada significativa no número de viagens no fim do ano. A qualificação do serviço refletiu no aumento no número de usuários. Só que, infelizmente, não conseguimos mudar a educação da população que pratica esses atos de depredação. Em dezembro e neste janeiro, tivemos oito bicicletas furtadas. É um número mais baixo se comparado ao que era, mas talvez uma nova estratégia tenha de ser pensada para coibir essas ações — afirma Alessandra.

Estações como a do museu Iberê Camargo estão mais espalhadas após a renovação do contrato Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

Segundo empresa, 12 bikes com problemas são removidas por dia

Por e-mail, a Serttel afirmou que, além das vistorias preventivas, realizadas em um intervalo máximo de 60 dias, as bicicletas passam por manutenções corretivas — como quando as marchas não funcionam ou há defeitos nas correias. O problema, no entanto, está no elevado número de equipamentos retirados diariamente das estações por outros motivos.

"Em Porto Alegre, temos um índice de furto e vandalismo considerado alto. Foram realizados, juntamente com a prefeitura, várias ações de realocação de estações para locais considerados mais seguros. O número de furtos começou a cair, porém, ainda é considerado alto. Em média, são retiradas das ruas 12 bicicletas com problemas por dia", informou a Serttel, em nota.

Um dos itens exigidos na renovação de contrato, o wi-fi estava disponível nas estações visitadas por ZH, apesar de usuários reclamarem que, às vezes, o sinal é tão lento que é preferível fazer uso dos planos de dados do celular para acessar o aplicativo. Em todos os pontos, havia pelo menos três bicicletas disponíveis — aparentemente, bem conservadas. Das 49 encontradas, somente três tinham problema: duas estavam com pneus furados e outra era devolvida sob reclamações de que não trocava as marchas.

— As bicicletas melhoraram muito do ponto de vista de sinalização, agora todas têm luzinhas de LED na frente e atrás. Por outro lado, encontrar uma bicicleta para uso nos horários de pico ainda é difícil. Mas o pior de tudo é o vandalismo. Esses dias, fui pegar uma bicicleta no Mercado Público e havia cinco delas sem a sinetinha, que é um item bem importante. A manutenção parece ser constante, o problema é que o vandalismo é maior — avalia Cynara Bica, 37 anos, supervisora comercial.

A opinião é a mesma da farmacêutica Larissa Fagundes, 29 anos, moradora do Centro Histórico, que usa as bicicletas nos passeios de fim de semana pela orla do Guaíba:

— Agora no verão, há mais bicicletas, mas talvez porque a cidade esteja mais vazia. Antes do fim do ano, teve domingos que tive de esperar mais de 40 minutos para conseguir uma bike. O que senti de diferente nos últimos meses é a manutenção, que parece estar melhor. Mas ainda poderia ter uma maior disponibilidade de bicicletas e uma melhoria no aplicativo, que vive travando e, às vezes, passa o cartão de crédito duas vezes na hora do pagamento. Mas, no geral, acho que tem de ser melhorada mesmo a atitude das pessoas, porque o vandalismo ainda é grande.

De acordo com o último levantamento da EPTC, mais de 900 mil viagens foram realizadas por usuários do serviço de aluguel de bicicletas BikePoa desde 2012, ano em que o sistema entrou em operação em Porto Alegre.

Estações agora têm wi-fi e bicicletas contam com farol Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS
 
 
 
 
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