Respeitômetro

Ciclistas usam régua gigante para alertar motoristas sobre distância segura 

Ação foi realizada pela manhã na Avenida Wenceslau Escobar

Por: Jéssica Rebeca Weber
09/03/2017 - 13h27min | Atualizada em 09/03/2017 - 17h45min
Ciclistas usam régua gigante para alertar motoristas sobre distância segura  Tadeu Vilani/Agencia RBS
O "respeitômetro" foi acomplado na parte traseira das bicicletas Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS  

Na autoescola, os instrutores ensinam: o motorista precisa manter uma distância mínima de 1,5 metro dos ciclistas. Nas ruas, quem anda de bicicleta aprende: poucos carros obedecem essa regra.

Mas na manhã desta quinta-feira, um grupo de ciclistas exigiu que cada centímetro fosse respeitado. Em uma ação organizada pelo Detran-RS e movimentos ligados ao ciclismo, foram acopladas às bicicletas estruturas que marcavam a distância lateral exigida pelo Código de Trânsito Brasileiro. O grupo pedalou com o "respeitômetro" — uma régua de ferro estrutural e PVC feita para marcar o metro e meio da lei — por trecho da Avenida Wenceslau Escobar, junto ao cruzamento com a Otto Niemeyer, na Zona Sul de Porto Alegre.

— É uma pena, mas muita gente tem medo de andar de bicicleta na cidade. Carros passam grudados, e os motoristas não pensam que na bicicleta vai uma pessoa, uma mãe, um filho, alguém que está sendo esperado em casa — diz Gilberto Flach, integrante do núcleo de cicloatividade do Laboratório de Políticas Públicas e Sociais (Lappus).

Não demorou muito para os ciclistas repararem que nem o "respeitômetro" lhes asseguraria segurança durante a ação. Membro da Mobicidade, José Antônio Martinez conta que um taxista encostou o veículo na estrutura acoplada à bicicleta.

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— Isso acontece todos os dias. Dessa vez só entortou o metal, mas, no dia a dia, quem fica caído é o ciclista. O machucado registrado como acidente é na verdade um atendado contra o ciclista — salienta.

Ildo Mário Szinvelski, diretor-geral do Detran/RS, lembra que os números de ciclistas mortos no trânsito têm caído no Rio Grande do Sul: despencaram de 178 em 2007 para 88 no ano passado. Mas a conscientização segue sendo essencial.

— O ciclista que está partilhando o espaço público com os demais não é um intruso. Ele tem o direito de partilhar esse espaço com segurança — diz.

Chamado de Dia de Mobilização pela Segurança de Ciclistas, o evento realizado na Zona Sul marca o início de uma campanha que deve se estender também para outras cidades gaúchas. Além da Mobicidade, do Lappus e do Detran, a Associação de Ciclistas de Porto Alegre (ACPA) também integrou a ação. 

Números:

— Em 2007, 178 ciclistas morreram no trânsito no Rio Grande do Sul, representando 9,7% do total de mortes (segundo o Detran/RS)

— Em 2016, o número caiu para 88, ou seja, 5,2% do total de mortes no trânsito.

— Foram registrados 163 acidentes envolvendo ciclistas apenas em Porto Alegre em 2016, contra 290 registrados em 2012, segundo a EPTC. 

— No ano passado, em Porto Alegre, foram realizadas 12 autuações por desrespeito ao espaço de 1,5 metro ao passar de ciclista. 

— Em Porto Alegre, a falta de respeito de motoristas foi apontada na Pesquisa Nacional sobre o Perfil do Ciclista Brasileiro (2015) como o principal problema enfrentado no uso da bicicleta como meio de transporte, com 33,5% das respostas. A segurança no trânsito vem em seguida, com 28,1%. 

Segundo Gilberto Flach, tem gente que deixa de andar de bicicleta por medo de ser atingido Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

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