Aperto na rotina

Como a crise financeira se reflete no atendimento à população da Capital 

Problemas envolvem falta de pagamento a fornecedores, cortes em pessoal e até relatos de diminuição de itens da alimentação escolar

10/03/2017 - 18h57min | Atualizada em 10/03/2017 - 19h29min
Como a crise financeira se reflete no atendimento à população da Capital  Ronaldo Bernardi/Agencia RBS
Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS  

Em meio à crise financeira da prefeitura, a prestação de serviços públicos em Porto Alegre enfrenta problemas envolvendo falta de pagamento a fornecedores, linhas de telefone cortadas, redução de pessoal e escassez de produtos. Levantamento realizado junto a unidades municipais, como centros de assistência social, postos de saúde e escolas, demonstra que a penúria se reflete no atendimento à população. A prefeitura admite problemas, mas sustenta que os serviços municipais estão mantidos.

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Nas últimas semanas, a população da Capital vem testemunhando sinais do desequilíbrio econômico — que, segundo a atual gestão, chegou a acumular um débito de R$ 507 milhões em contas vencidas até 31 de dezembro. O Sindicato dos Municipários (Simpa) discorda das alegações do prefeito Nelson Marchezan de que as finanças estão em situação gravíssima. Em nota, o Simpa argumenta que a dívida da Capital representaria apenas 21,7% da receita, enquanto no Estado a proporção supera 212%.

Oficialmente, o sindicato informa não ter informações consolidadas sobre eventuais dificuldades no atendimento à população. Nos bastidores, é uma estratégia para não reforçar o discurso de Marchezan de que a crise financeira exige contenção de gastos.

— O discurso do caos nas contas serve apenas para o plano de privatizar tudo — sustenta uma representante sindical.

Mas, entre os trabalhadores que atuam diretamente em escolas, postos de saúde e outras unidades, os relatos são de falta de pessoal e de materiais básicos. Integrantes das direções de escolas revelam a diminuição de pessoal terceirizado e de itens do rancho mensal como carne.

— Tínhamos cinco terceirizados para cuidar da limpeza, que precisa ser constante porque somos uma escola de Educação Infantil. Ficaram apenas três — revela a integrante de um estabelecimento de ensino que pede para não ser identificada.

A Secretaria Municipal da Educação (Smed) confirma o corte de 76 terceirizados em um universo de 1.040 profissionais, mas nega alterações nas remessas de alimentos. Em postos de saúde, foi relatada escassez de médicos, medicamentos e materiais básicos como gaze (leia mais no infográfico abaixo).

— Faz muito tempo que não sabemos o que é gaze aqui no posto, além de faltar médico. Estamos só com um clínico geral — diz uma servidora do posto Passo das Pedras I, que também pede para ter sua identidade preservada.

A Secretaria Municipal da Saúde sustenta que eventuais faltas de produtos como medicamentos podem ocorrer por dificuldades administrativas ou de distribuição, mas não de recursos. Além disso, a secretaria informa estar em fase de contratação de 26 novos médicos para trabalhar em equipes de saúde da família.

O município promete resolver nos próximos dias outros problemas decorrentes da falta de pagamentos a fornecedores, como a suspensão na capina terceirizada em áreas públicas e o corte de linhas de telefone em unidades da Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc).


 
 
 
 
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