Vazio monumental

Moradores não veem perspectiva de mudanças para a área do Olímpico

Empreiteira não confirma construção de shopping, hotel e prédios no local

Por: Jéssica Rebeca Weber
31/03/2017 - 18h56min | Atualizada em 31/03/2017 - 21h42min
Moradores não veem perspectiva de mudanças para a área do Olímpico Bruno Alencastro/Agencia RBS
Área tem 8,5 hectares no limite entre os bairros Azenha, Medianeira e Menino Deus Foto: Bruno Alencastro / Agencia RBS  

Com a desocupação do Estádio Olímpico pelo Grêmio, havia expectativa de que uma estrutura de primeiro mundo surgisse na área de 8,5 hectares no limite entre os bairros Azenha, Medianeira e Menino Deus, em Porto Alegre. Em 2012, a prefeitura chegou a aprovar um projeto prevendo a construção de um shopping de três andares, um hotel, dois prédios com salas comerciais e nove com residências, 5,1 mil vagas de estacionamento, praça aberta à população e ciclovia. 

Quase cinco anos depois, a construtora OAS não confirma que os planos seguem os mesmos. Contatada pela reportagem, a empresa informou que não se pronunciaria.

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— É triste ver um negócio que não se resolve. Já entendi que o Olímpico não vai voltar mais, mas essa coisa de não implodir e criar uma nova vida ali é muito triste — lamenta o bancário Gustavo Barcellos Farias, 35 anos, morador da região e gremista.

A área do Olímpico ainda pertence ao Grêmio, e a implosão segue uma incógnita. A entrega do complexo à OAS, como contrapartida pela construção da Arena, já deveria ter ocorrido em 2013. Mas a solução não parece próxima. Na sexta-feira, o clube recuou das negociações para a compra da Arena — e a consequente entrega do Olímpico.

Torre da Capela Nossa Senhora da Medianeira ainda pode ser vista Foto: Bruno Alencastro / Agencia RBS

A saída do Grêmio também tirou dos moradores um espaço de fé. A singela torre da Capela Nossa Senhora da Medianeira ainda pode ser vista da rua, mas o prédio foi desocupado e parcialmente desmanchado. Mesmo colorada, Neusa Brito, 68 anos, moradora da Avenida Coronel Gastão Haslocher Mazeron, era uma das fiéis frequentadoras do espaço, que ficava perto do pórtico.

— Gostava de ir até para conhecer os vizinhos. As pessoas aqui não se conhecem — conta a aposentada, que hoje faz suas orações em casa.

O prédio recebeu casamentos, batizados e até velórios. Cabiam cerca de 100 pessoas "apertadinhas", segundo Antonio Olavo Carvalho da Veiga, 65 anos, que foi diretor da capela. A estrutura resistiu por alguns meses depois do fim dos jogos, mas precisou ser desativada. Uma nova capela foi montada na Arena.

Quando vai à feira, Antonio ainda observa a capela, do outro lado da cerca. Diz que sente pena, e que adoraria ver o local aberto de novo.

— Ia ser legal se fosse resgatada, se virasse uma pequena lembrança. Como nos Eucaliptos — diz ele, fazendo referência à antiga casa do Inter no bairro Menino Deus, que deu lugar a um condomínio residencial e um memorial a céu aberto, que inclui as traves do estádio.


 
 
 
 
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