A volta dos camelôs

Senegaleses impulsionam comércio informal no centro de Porto Alegre

Prefeitura pretende unificar serviços de inteligência para barrar a chegada de produtos piratas ou sem identificação de procedência

03/04/2017 - 22h20min | Atualizada em 03/04/2017 - 22h20min
Senegaleses impulsionam comércio informal no centro de Porto Alegre André Ávila/Agencia RBS
Mor Amar está há quatro anos na Capital Foto: André Ávila / Agencia RBS  

Atraídos para o Brasil durante a época de exuberância econômica, imigrantes que desembarcaram em busca de emprego hoje ocupam as ruas centrais de Porto Alegre como camelôs. Boa parte dos vendedores ambulantes que tomaram a calçadas são senegaleses que mal falam português, mas se mostram dispostos a permanecer em solo gaúcho.

Não há uma explicação clara para a preponderância de senegaleses (muitas vezes confundidos com haitianos) entre os comerciantes irregulares da Capital. Os primeiros vieram por volta de 2014 e, aos poucos, construíram uma espécie de comunidade que estimulou outros conterrâneos a seguirem ao mesmo destino. Também existe a suspeita de que a vinda de imigrantes tenha sido ampliada por "atravessadores" que repassavam os produtos a serem vendidos pelos recém-chegados.

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— Percebemos que, de início, todos os senegaleses vendiam um mesmo kit de produtos contido em uma espécie de maleta. Por isso, se imagina que contavam com algum fornecedor comum. Com o tempo, o material vendido acabou se diversificando — sustenta um servidor da prefeitura.

A prefeitura pretende unificar serviços de inteligência com a Polícia Civil e a Brigada Militar para aprofundar esse tipo de análise envolvendo estrangeiros ou brasileiros e barrar a chegada de produtos piratas ou sem identificação de procedência às ruas. Os próprios senegaleses garantem adquirir seus produtos por conta própria em depósitos localizados na cidade.

— Compramos aqui mesmo, mas prefiro não dizer onde — afirma o imigrante senegalês Mor Amar, 23 anos, há quatro anos na Capital.

Amar vivia em Buenos Aires e conhecia Porto Alegre. Pouco antes da Copa de 2014, acreditou que teria melhores oportunidades no Brasil. Seus planos correram conforme o planejado até o final do ano passado, quando perdeu o emprego como garçom. Sem conseguir um novo trabalho de carteira assinada, e já casado com uma brasileira, passou a vender eletrônicos no Centro.

— Às vezes, as pessoas passam e nos olham como coitados. Não queremos roubar, nem fazer mal a ninguém. Só precisamos trabalhar — sustenta Amar.

Cerca de 80 senegaleses já se inscreveram em cursos de capacitação oferecidos pelo município com intenção de receber alvarás de trabalho.


 
 
 
 
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