Paixão de Cristo

Via Sacra reuniu fiéis na zona leste de Porto Alegre em sua 58ª edição 

Cerca de 10 mil devotos assistiram à encenação dos últimos momentos de Jesus Cristo

Por: Bárbara Müller
14/04/2017 - 20h15min | Atualizada em 14/04/2017 - 22h43min
Via Sacra reuniu fiéis na zona leste de Porto Alegre em sua 58ª edição  Carlos Macedo/Agencia RBS
Foto: Carlos Macedo / Agencia RBS  

Todo ano, a Sexta-feira Santa costuma reunir milhares de fiéis em Porto Alegre para assistir à encenação dos últimos momentos da vida de Jesus Cristo. Na edição de 2017, não poderia ser diferente: uma multidão acompanhou a 58ª Via Sacra do Morro da Cruz, na Zona Leste.

Alguns fiéis chegaram cedo para garantir um lugar junto à grade que envolvia o espaço do palco, na esquina das ruas Primeiro de Março e Vidal de Negreiros. Apesar de participar de todas as edições há quatro décadas, Sirlei Rodrigues, 80 anos, buscou uma visão privilegiada da encenação, já que, pela primeira vez, não acompanharia a subida ao morro.

— É muito lindo, não tem explicação! Não perco uma, mas hoje não vou acompanhar até o final porque vai ficar muito tarde para eu descer sozinha — conta a aposentada, que costumava levar os filhos.

O trajeto de um quilômetro e meio teve início logo após a primeira parte da peça, por volta das 16h. Pessoas de todas as idades encararam a subida íngreme da Rua Santo Alfredo até o topo do morro para assistir a crucificação, morte e ressurreição de Cristo. Para pagar promessas, alguns até percorreram o caminho de pés descalços, como foi o caso de Helen Marques, 25 anos.

— Eu sempre venho, desde os sete anos. Mas, desta vez, é diferente. Perdi um nenê com três meses de gravidez e prometi que, se eu ficasse grávida de novo e o bebê nascesse com saúde, faria a caminhada de pés descalços — explicou, enquanto carregava nos braços Isadora, cinco meses, fielmente caracterizada de anjo.

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Comparado aos outros anos, quando o evento chegou a reunir 30 mil devotos, o público diminuiu (a Brigada Militar estimou em 10 mil participantes). Mas, para Helen, quantidade não é o que realmente importa:

— O que vale é a energia, né? Eu me arrepio sempre.

Enquanto o intérprete de Jesus Cristo caminhava em direção ao calvário, acompanhado dos fiéis, moradores dos arredores assistiam a tudo direto das calçadas de suas casas, sentados em cadeiras de praia. Volta e meia, brincavam com algum conhecido que encontravam no meio da multidão:

— Ué, pagando promessa?

Uma das cenas mais emocionantes — e talvez mais esperada por adultos e crianças — aconteceu pouco depois das 17h, após cerca de uma hora de caminhada. Em meio a gritos e aplausos, todos assistiram atentos à crucificação e à ressurreição de Jesus Cristo.

Mais de três décadas como Jesus

Por 36 vezes, Aldacir Oliboni assumiu o papel de Cristo na Via Sacra do Morro da Cruz. O vereador de Porto Alegre pelo PT é venerado pela comunidade e pelos devotos que o abraçam e pedem fotos ao final das festividades. Apesar de seguir o mesmo roteiro todos os anos, para ele, ser Jesus nunca é a mesma coisa.

— Eu fico muito feliz porque eu vejo que, cada vez mais, posso passar a mensagem de paz e esperança às pessoas. É sempre uma renovação. Me sinto grato fazendo o que faço — conta. 



 
 
 
 
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