Zona Sul

Asilo Padre Cacique comemora 119 anos com apresentações musicais

Lar de Porto Alegre abriga 150 idosos e se mantém por doações

Por: Bárbara Müller
19/06/2017 - 21h00min | Atualizada em 19/06/2017 - 21h00min
Asilo Padre Cacique comemora 119 anos com apresentações musicais Robinson Estrásulas/Agencia RBS
Foto: Robinson Estrásulas / Agencia RBS  

— Aqui, todo dia é uma festa.

Assim que Osvaldina Pinto, 90 anos, define o Asilo Padre Cacique, que nesta segunda-feira comemora 119 anos. Moradora do lar da Zona Sul há quase sete anos, a senhora tagarela e de riso fácil é só elogios para o local:

— É muito bom, temos todo apoio necessário. Tem médico, comida, tudo. Isso representa o mundo inteiro pra mim, criatura. É como morar no céu.

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O aniversário foi comemorado com um dia cheio de atividades, incluindo bolo e apresentação do Coral Clave de Sol, que cantou Parabéns a Você. Uma roda de samba aqueceu e animou a tarde mais fria do ano.

— Ah, tivemos música, missa, cantamos o hino. Mas só cantei algumas partes porque não lembro direito, né? É um presentão para nós — revela a idosa, que define o sentimento provocado pela vivência no Padre Cacique em uma palavra: gratidão.

Fundado em 19 de junho de 1898, na avenida de mesmo nome, o asilo foi criado pelo padre baiano Joaquim Cacique de Barros, conhecido pela benevolência e por ser engajado nos problemas sociais de Porto Alegre. Como organização não governamental, sem fins lucrativos e mantida por meio de doações, a entidade sempre teve cunho social e objetivo de atender pessoas em vulnerabilidade social. Atualmente, 150 vovôs e vovós vivem no local e contam com o atendimento de médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas e voluntários. Há dormitórios individuais e separados entre homens e mulheres, piscina, sala de computação, sala de cinema, cancha de bocha, refeitório, enfermaria, sala de visitas e áreas de convivência ao ar livre, com flores, sombras e bancos.

— Temos o maior orgulho do nosso trabalho. Contamos com atividades como baile, bingo, roda de samba, artesanato, sempre tem alguma novidade. E todos os dias é uma lição de vida que aprendemos com eles — conta o diretor-geral Milton Costa da Silva.

Para Maria Beatriz Habib, 69 anos, ficar parado não é uma opção para os moradores:

— Segunda tem roda de samba, terça tem coral, quarta tem artesanato, quinta tem baile, sexta é livre, sábado tem a sessão de cinema. É uma forma de vivermos saudáveis. Participo mais da roda de samba e dos bailes, gosto muito de dançar.

Há três anos, Maria Beatriz entrou no asilo. Chegou a ficar um ano fora e, depois, retornou. Sem poder trabalhar, pois precisava ficar com a perna para cima por conta da trombose, não conseguia manter a casa sozinha.

— Voltei porque aqui é um lugar para a gente ficar, e os filhos não tem como cuidar, né? Temos todo acompanhamento médico, disciplina alimentar. Resolvi vir e não me arrependo — conta, emocionada.

Além de fazer os vovôs e vovós mexerem o esqueleto e proporcionar novas amizades, no Padre Cacique o romance também tem lugar. Entre uma ida e outra ao refeitório, Nadir Jardim, 78 anos, conheceu Célia, com quem namora há três anos.

— Estava almoçando, e ela chegou na mesa. Aí começamos a conversar, aquela coisa toda, e a partir daí começou o namoro. Ela é uma pessoa muito boa, muito legal. Agora, está passando férias em Santa Catarina, mas logo vai voltar — recorda Jardim.

Entre ir para o Rio de Janeiro, na casa do irmão, e ficar em Porto Alegre, Jardim encontrou no Padre Cacique um lar. Há 11 anos no local, diz que não há nada igual à cidade que escolheu, primeira no Brasil a ser reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a capital amiga dos idosos, em 2015.

De acordo com o diretor geral, o local é mantido com a ajuda de contribuições espontâneas. São utilizados, em média cem litros de leite por dia e oito mil fraldas por mês. Além de doações materiais, Silva destaca a importância de doar um pouco do tempo para um bate-papo:

— Quase a metade dos idosos não tem mais vínculo familiar fora daqui. O que eles mais sentem falta é da conversa. E tudo aquilo que altera a rotina é interessante para eles. Às vezes, 15 ou 20 minutos podem fazer toda a diferença. As visitas podem ser feitas nas quartas, nos sábado, nos domingos e em feriados, das 9h ao meio-dia e das 13h às 16h.

Produtos bem-vindos
- Café
- Leite
- Alimentos não perecíveis
- Produtos de limpeza
- Fraldas
- Roupas
- Cobertores

 
 
 
 
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