Asfalto perigoso

Buraqueira é problema também na Região Metropolitana

Em pelo menos duas cidades da Grande Porto Alegre, ZH constatou situação parecida com a de ruas da Capital: falhas na pavimentação que atormentam motoristas

Por: Jéssica Rebeca Weber
18/06/2017 - 21h55min | Atualizada em 18/06/2017 - 21h55min
Buraqueira é problema também na Região Metropolitana André Ávila/Agencia RBS
Na Avenida Presidente Getúlio Vargas, em Alvorada, não é difícil encontrar pontos críticos Foto: André Ávila / Agencia RBS  

Além de serem ligadas pela RS-118, que leva fama pelas obras intermináveis e condições precárias, Alvorada e Gravataí têm em comum outro problema viário. Zero Hora percorreu parte da Região Metropolitana na tarde de sexta-feira e constatou que a avenida principal das duas cidades apresentava grande quantidade de buracos. No domingo, a prefeitura de Gravataí informou que realizou os reparos ainda no final de semana, após ser contatada pela reportagem.

Perigo para a segurança de passageiros, pesadelo para motoristas e garantia de gastos maiores com manutenção, os rombos no asfalto da Capital foram mostrados na edição de sexta-feira em ZH. Depois da reportagem, leitores se manifestaram para lembrar que o problema é geral, e, apesar de velho conhecido de quem trafega pela Região Metropolitana, piorou — especialmente após a chuva que assolou o Estado entre maio e o começo de junho. Um deles foi o representante comercial Milton Dresch, que entrou em contato para alertar sobre a situação precária na Avenida Boqueirão, em Canoas, e na principal via de Alvorada, a Avenida Presidente Getúlio Vargas.

Na primeira, ZH constatou uma equipe trabalhando na pavimentação ao chegar ali na tarde de sexta-feira. Já em Alvorada, não foi difícil encontrar pontos críticos: um deles fica próximo ao cruzamento com a Rua Podalírio Barcelos, a menos de dois quilômetros da sede da prefeitura. Especialmente no sentido Centro-bairro, é difícil até de contar os buracos, que se emendam uns aos outros. O frentista Valdir Couto, 47 anos, que trabalha em um posto de combustíveis na via, não esconde a indignação.

— É um absurdo. Não tem carro que se mantenha em bom estado — relata. — É preciso andar a 10 km/h.

Os moradores contam que, "de vez em quando", ocorrem operações tapa-buracos, mas que os remendos não duram por muito tempo. Questionado sobre uma obra mais completa de recapeamento, Couto mostra-se resignado e deposita o que resta de esperança em uma "força superior":

— Só se por milagre de Deus.

Na Avenida Dorival Cândido Luz de Oliveira, principal via de Gravataí, a reportagem contou pelo menos 10 buracos na quadra junto ao Parcão, na tarde de sexta-feira. Havia um grande rombo próximo ao cruzamento com a Rua Angelino Loranzi, em ponto com muita circulação de veículos, seguido por uma série de buracos de proporção menor também no sentido Centro-bairro da avenida principal, perto do meio-fio. 

Na opinião da babá Claudete Guidalini, 50 anos, a chuva que predominou no último mês não pode ser a única culpada pelos buracos que há na cidade.

— É sempre assim — diz ela.

Também na região central, uma via de menor movimento chama atenção pela buraqueira. Na Rua Salvador Canelas Sobrinho, próxima à faculdade Facensa, há um buraco de pelo menos 10 centímetros de profundidade. Em outros pontos da via, o paralelepípedo aparece sob o asfalto.

Na Rua Salvador Canelas Sobrinho, em Gravataí, paralelepípedo aparece sob asfalto em alguns pontos Foto: André Ávila / Agencia RBS

Danos aos carros levam mais clientes à oficina

Pavimentação deficiente, carros prejudicados. Termômetro da situação das ruas, a oficina de Paulo Roberto Hoerlle vem recebendo mais veículos vitimados pela buraqueira. Segundo o mecânico, os buracos prejudicam especialmente a suspensão — partes como a balança e o amortecedor entortam — e as rodas, que podem entortar ou até quebrar. Mas, dependendo da cratera, o cárter, onde fica o óleo do motor, pode furar. Ou seja: além de andar devagar e com atenção máxima para desviar dos buracos, é bom ficar de olho no painel para flagrar se um impacto não causou vazamento.

Por meio de assessoria de imprensa, a prefeitura de Alvorada afirma que estava aguardando o período de chuvas fortes passar para realizar uma operação tapa-

buracos, e vias como a Presidente Getúlio Vargas "terão prioridade no cronograma da Secretaria Municipal de Obras e Viação". Sem precisar data, diz que as obras ocorrerão nos próximos dias. A assessoria informa, ainda, que o município dispõe de poucos recursos, mas, em um segundo momento, pretende buscar verbas com governos estadual e federal para um plano maior para a rede viária da cidade.

Em um primeiro contato, na sexta-feira, a prefeitura de Gravataí informou que os reparos seriam feitos nesta semana na Dorival Cândido Luz de Oliveira. Neste domingo, o secretário municipal de Obras, Paulo Garcia, afirmou que conseguiu antecipar os trabalhos: diz que eles foram realizados no sábado para evitar transtornos em dias com mais movimento. Ele considera que os buracos apareceram em razão da chuva.

Sobre a Salvador Canelas Sobrinho, também em Gravataí, o secretário de Obras ressalta que "no Centro, a manutenção é constante". Paulo Garcia informa que a pasta averiguará nesta segunda-feira a situação no local.

TRÊS DICAS PARA EVITAR DANOS AO VEÍCULO

1) Calibre os pneus um pouco mais do que o normal. Em vez de manter a calibragem entre 28 e 30 libras, coloque entre 30 e 33 libras de ar. Isso ajuda a reduzir o risco de danos às rodas e de arrebentar o pneu.

2) Quando o buraco é inevitável, reduza antes de cair, nunca freie "dentro" dele. É que, quando a roda não está girando, o impacto pode, além de entortá-la, prejudicar a suspensão.

3) Apesar de o perímetro urbano dos municípios permitir velocidade de até 60 km/h em algumas vias, tire o pé. Com o asfalto em más condições, andar acima dos 40 km/h faz com que frear antes do buraco seja quase inútil.

Fonte: mecânico Paulo Roberto Hoerlle, da Hoerlle Reparação de Veículos

 
 
 
 
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