Entrevista

Marchezan: "Se não forem uma equipe de angustiados, estão no lugar errado"

Prefeito completa seis meses à frente do Executivo porto-alegrense

30/06/2017 - 18h40min | Atualizada em 30/06/2017 - 19h16min
Marchezan: "Se não forem uma equipe de angustiados, estão no lugar errado" Bruno Alencastro/Agencia RBS
Foto: Bruno Alencastro / Agencia RBS  

Disposto a reformar a administração da Capital, o prefeito Nelson Marchezan completa seis meses de mandato buscando um melhor relacionamento com a Câmara e enfrentando seguidas saídas de auxiliares — o que, segundo ele, deve continuar ocorrendo. Confira a seguir um resumo da entrevista concedida na sexta-feira no Paço Municipal.

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O senhor está satisfeito com o que fez nos primeiros seis meses? Poderia ter feito mais?
Eu gostaria de ter feito muito mais, tem muito ainda a fazer. Estamos tentando realizar coisas estruturantes que deixem um legado de reformas necessárias para Porto Alegre seguir adiante com mais tranquilidade. Fizemos uma reforma administrativa que ainda não foi votada na Câmara e atrasou mais do que gostaríamos, implantamos um método mais moderno de seleção e contratação de pessoas, estamos implantando métodos de acompanhamento interno de questões éticas, de transparência, de parcerias.

Em relação às dificuldades com a Câmara, vereadores se queixam de falta de negociação.
Nossa relação pessoal com a maioria dos vereadores é boa, e a nossa relação institucional vem se aperfeiçoando. Provavelmente existe, a partir dessas reclamações dos vereadores, espaço para mais conversa sobre o conteúdo de alguns projetos. Mas há pontos que não terão flexibilidade, como pontos éticos e morais.

Um vídeo em que o senhor diz faltar coragem a alguns vereadores repercutiu mal. Foi um erro?
É uma nova relação. Eu vou me manifestar sobre o que eu penso, assim como os vereadores se manifestam. Vou responder, inclusive, a manifestações que eu considerar que devem ser respondidas. Eu sou uma pessoa, eu tenho meus defeitos, tenho família, amigos, certas coisas não vão passar despercebidas. Certas cobranças que me são colocadas precisam ser respondidas. E acho que os vereadores corajosos não se sentiram ofendidos quando eu falei dos sem coragem.

A quantidade de baixas nos primeiros escalões tem sido elevada. Quem sai alega razões pessoais, mas as condições estressantes de trabalho e seu temperamento também são apontados como possíveis motivos. Há um fundo de verdade nisso?
Não vejo essa questão da exaltação com o Bruno (Miragem, ex-procurador-geral), o Kevin (Krieger, ex-secretário), os presidentes da Carris, do DMLU. São as quatro baixas de maior nível. Não vejo conexão com essa afirmação de que sou angustiado, que tenho pressa, que eu cobro, que eu quero que as coisas aconteçam. Existe um nível de estresse grande porque a vida das pessoas está estressante pela falta de saúde, segurança, infraestrutura. Em uma reunião de secretários, um deles tentou amenizar a angústia e eu disse "olha, se vocês tiverem alguém na equipe de vocês que não está angustiado, que demita". Quem está aqui para resolver tem de estar angustiado. Se não for uma equipe de angustiados, estão no lugar errado. Se a gente não der o máximo, não conseguirá superar as dificuldades. Muitas baixas vão acontecer. Esse é um compromisso de campanha. Se a pessoa não estiver disposta a ter o comprometimento necessário, a capacidade adequada ou se perder a motivação por vários motivos, vai sair. Por motivos pessoais ou a pedido de alguém. Não vejo problema nisso, e me parece que a (minha) relação com todos que saíram permanece intacta.

 
 
 
 
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