Na madrugada

Ação da Brigada Militar para liberar trânsito termina em confusão na Rua João Alfredo, na Cidade Baixa

Policiais usaram bombas de gás lacrimogêneo para dispersar grupo de pessoas que ocupava via, ponto conhecido de bares e casas noturnas

16/07/2017 - 04h28min | Atualizada em 16/07/2017 - 12h28min
Ação da Brigada Militar para liberar trânsito termina em confusão na Rua João Alfredo, na Cidade Baixa Divulgação/Brigada Militar
Frequentadores de bares foram retirados pela polícia depois  Foto: Divulgação / Brigada Militar  

Um tumulto foi registrado na Rua João Alfredo, no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre, durante ação da Brigada Militar por volta das 3h deste domingo (16) para desobstruir a via. Bombas de gás lacrimogêneo foram utilizadas e a confusão resultou em correria pelas ruas do bairro. Não há registro de feridos.

Tradicional ponto da vida noturna da Capital, com mais de uma dezena de bares e casas noturnas, a João Alfredo costuma ter calçadas e parte da rua ocupadas por uma multidão nas noites de final de semana. Os policiais foram acionados por conta de reclamações quanto a som alto, e um grupo de pessoas teria reagido lançando objetos contra a viatura, que pediu apoio do pelotão de choque.

Segundo Daniela Sopezki, que viu a movimentação da janela do apartamento onde mora, na Rua Baronesa do Gravataí, garrafas e pedras foram atiradas contra os brigadianos. 

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Letícia Sebben, moradora da João Alfredo, também acompanhou a ação da janela de casa. Cerca de 10 viaturas, relatou Letícia, fecharam a via entre a Rua da República e a Luiz Afonso.

— Tinha muita gente na rua, como todo sábado à noite. Eles (policiais) deram várias voltas em volta do pessoal até chegar a tropa de choque. Correram com o pessoal que estava na rua, jogando bomba, ameaçando com taser (arma de choque). Não houve conflito ou motivo aparente que explique a ação deles — disse Letícia, acrescentando que viu e ouviu tiros.

Apesar de estar habituada com a barulheira noturna, Maria Izabel Lemos da Fonseca, outra moradora da João Alfredo, contou ter despertado em sobressalto na madrugada deste domingo por conta do confronto. Levantou-se e viu a multidão já em dispersão pela ação dos policiais militares:

– Fiquei apavorada, meu filho não estava em casa. 

Conforme o Departamento de Comando e Controle Integrado, a polícia foi ao local porque moradores da região teriam reclamado de música em alto volume na João Alfredo.

— Ao chegar lá, as pessoas estavam no meio da rua. No momento em que os policiais pediram para as pessoas saírem, elas jogaram garrafas em direção aos PMs. O Pelotão de Operações Especiais reagiu com a utilização de agentes químicos — explica o tenente-coronel Eduardo Amorim.

A ação dividiu opiniões entre os que consideraram a ação um excesso da BM e quem reclama do comportamento de boêmios aos finais de semana. Na manhã de domingo, vários moradores de ruas próximas na Cidade Baixa manifestaram-se a favor da ação policial. Segundo eles, o movimento de frequentadores dos bares está "fora de controle": aos finais de semana, a João Alfredo por vezes é bloqueada e há vandalismo.

— Depois das 22h30min, você já não passa mais ali na João Alfredo, fica tudo trancado, com carros estacionados com música alta. Estamos pedindo ação da Brigada há muito tempo — afirmou o morador Luiz Carlos Lunks.

— Há 15 anos, era maravilhoso viver aqui. Agora é um horror, estamos sofrendo. Pela primeira vez a Brigada Militar tenta liberar a rua e é recebida a garrafadas. Ninguém é contra os bares, mas respeitando também o direito dos outros — disse Jorge Silva, que reside na Rua da República.

— No momento em que, através do diálogo, não foi possível desobstruir a via, não foi possível que as pessoas diminuíssem o volume dos rádios dos carros e no momento em que pessoas que estavam ali jogaram pedras e garrafas nos policiais do 9º BPM, e sempre quando acontece fato desse tipo, a sociedade não pode esquecer do Tatu Bola. Então a BM não vai aceitar, ela vai reagir com bombas de gás e efeito moral,  porque nós não vamos aceitar que ninguém fique jogando pedras na corporação — reiterou o tenente-coronel Amorim.

* Com reportagem de Bárbara Müller, Lucas Abati, Bruno Teixeira e Larissa Roso

 
 
 
 
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