Olha que legal!

Comerciante transforma lacres e tampas plásticas em solidariedade

Grupo Amor ao Próximo, criado por moradora de Porto Alegre, tem parceria com o Rotary Club de Porto Alegre Lindóia - Passo D'Areia

08/07/2017 - 07h00min | Atualizada em 08/07/2017 - 07h00min


Cláudia guarda as garrafas em casa e as troca quando consegue a quantidade necessária Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

O que pode ser considerado lixo para muitos tornou-se moeda de solidariedade para a comerciante Cláudia Araújo, 49 anos, do Bairro Campo Novo, Zona Sul de Porto Alegre. Lacres de latas de alumínio e tampas plásticas guardadas por ela em garrafas PET de dois e de cinco litros se transformam em cadeiras de rodas e caixas de leite, que são doadas a quem precisa.

Há sete anos, ao ver a perplexidade da filha Melissa, então com 16 anos, no retorno da visita dela com a escola a uma entidade assistencial, Cláudia sentiu a necessidade de ajudar ao próximo. Começou oferecendo descontos a quem doasse 2kg de alimentos ao comprar na loja de roupas administrada por ela. Toda a comida era repassada à instituição visitada anteriormente por Melissa. Em seguida, passou a contribuir com o brechó da mesma entidade. Nunca mais parou.
— A criação do grupo Amor ao Próximo ocorreu, espontaneamente, para organizarmos as doações. Comecei a ajudar mais famílias que necessitavam, pessoas acamadas de todas as idades e outras instituições. Hoje, temos quase 8 mil cadastrados no grupo do Facebook — conta. 

Em 2015, Cláudia descobriu que poderia ir além: tornou-se parceira de uma iniciativa do Rotary Club de Porto Alegre Lindóia — Passo D'Areia, localizado na Zona Norte da Capital, que arrecada lacres de alumínio para trocá-los por cadeiras de rodas. Divulgando a ação social nas redes e com a ajuda de estudantes das escolas Cesi Zona Sul e Emef Chapéu do Sol e outros doadores, conseguiu arrecadar o suficiente para trocar por duas cadeiras, já doadas — uma foi entregue a um morador do Bairro Bom Jesus e a outra, a um agricultor de Caxias do Sul, na Serra.
— O meu foco sempre foi a saúde e o meio ambiente. Tiro da natureza aquilo que poderia prejudicá-la, e ajudo a transformar em algo bom para alguém. Não vou mudar o mundo, mas contribuo de alguma forma fazendo a minha parte — explica a comerciante.

Mas a rede de solidariedade não aumentou na mesma proporção que os pedidos de ajuda. A cada dia, Cláudia recebia mais solicitações de leite para crianças. Foi então que começou a reciclar outro material: as tampas plásticas. Com 70 garrafas de plástico de 5 litros repletas de tampas de garrafas de refrigerante, suco e leite, ela conseguiu comprar 36 caixas de leite. Para isso, mais uma vez, contou com o apoio das duas escolas.
— Meu maior objetivo é transformar os jovens em seres solidários. As novas gerações precisam saber que lixo é riqueza e pode ajudar outras pessoas — afirma.

Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

É na garagem de casa que Cláudia, casada e mãe de dois filhos — de 17 e de 24 anos —, guarda o arrecadado e repassa sempre que necessário. Fraldas descartáveis, leite, material escolar, agasalhos e calçados, lacres e tampas se espalham por toda a parte, e a comerciante abre largos sorrisos quando fala da campanha. O maior sonho dela, porém, é ainda maior. Cláudia transformará o grupo de Facebook na Associação Beneficente Amor ao Próximo e o registro deve ser finalizado na próxima semana.

Depois disso, a meta da comerciante é criar um carnê com valores de R$ 30 e R$ 50 mensais. Ao final de dois anos de contribuições, o doador receberá o valor em prestações de serviços. O dinheiro servirá para a compra de um terreno e a construção de um centro de reabilitação para crianças com problemas neurológicos.
— Se conseguir metade dos curtidores do Facebook fazendo parte da Associação, em dois meses eu compro o terreno e em um ano, construo o prédio — calcula, a visionária. Se depender da disposição de Cláudia, lacres e tampas são só o começo da rede de solidariedade criada pela comerciante. 

Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

Como funciona a iniciativa do Rotary
* 160 garrafas PET de dois litros cheias de lacres de alumínio — cerca de 100kg — valem uma cadeira de rodas.
* Numa garrafa de 2 litros cabem, em média, 2,7 mil lacres.
* Uma cadeira manual custa R$ 350.
* Os lacres são encaminhados para a empresa parceira Maquimotor, no Bairro Lindóia, que os repassa para a Metalúrgica Brutt, em Cachoeirinha.
* A metalúrgica paga R$ 3,50 por quilo.
* O Rotary compra as cadeiras fabricadas por uma empresa paulista de Ferraz de Vasconcelos.
* Outra parceira da iniciativa, a Unidão Transportes, se encarrega de trazer as cadeiras gratuitamente até Porto Alegre.
* Em três anos de projeto, 320 cadeiras de rodas já foram distribuídas em todo o Estado.
* O Rotary conta com mais de 70 parceiros no Rio Grande do Sul, um deles é o grupo Amor ao Próximo.
* Neste período, foram arrecadadas 14 toneladas de lacres.
* O projeto não arrecada a latinha de alumínio para não prejudicar as famílias que vivem da reciclagem.
* Para ajudar: rclindoia@gmail.com

Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

A arrecadação no grupo Amor ao Próximo
* Cláudia conta com o auxílio de escolas públicas e particulares da Zona Sul.
* As instituições arrecadam e Cláudia busca no local.
* Duas cadeiras de rodas já foram doadas a pessoas que são auxiliadas pelo grupo.
* Cláudia ainda arrecada tampas plásticas que são trocadas por caixas de leite.
* 70 garrafas plásticas de 5 litros cheias de tampas plásticas valem 36 caixas de leite.
* O alimento é repassado a famílias auxiliadas pelo Amor ao Próximo.
* Para ajudar: WhatsApp (51) 99966-1283.








 
 
 
 
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