Transporte

Fim da gratuidade da segunda passagem de ônibus é "simplista", diz ex-diretor presidente da EPTC

Vanderlei Cappellari, que implantou a medida em 2011, sustenta que a medida trouxe mais passageiros ao sistema. Atual diretor do órgão, Marcelo Soletti diz que isso não ocorreu

28/07/2017 - 11h12min | Atualizada em 28/07/2017 - 12h08min
Fim da gratuidade da segunda passagem de ônibus é "simplista", diz ex-diretor presidente da EPTC Félix Zucco/Agencia RBS
Foto: Félix Zucco / Agencia RBS  

O fim da isenção na segunda passagem de ônibus em Porto Alegre "é uma injustiça e penaliza o trabalhador que não é atendido com uma única viagem". A avaliação é de Vanderlei Cappellari, ex diretor-presidente da EPTC e um dos idealizadores da medida que, em 2011, viu a que medida traria mais passageiros para o sistema. 

— A segunda passagem é uma medida de justiça. É obrigação das empresas de ônibus ofertar um preço único. Quando pessoa não é atendida numa única viagem ela tem mesmo direito de quem tem. Acho que (o assunto) está sendo tratado de forma simplista. O modelo de planejamento com rede de transporte pode ser racionalizado desde que passageiros sejam tratados com igualdade — disse Cappellari, em entrevista ao Gaúcha Atualidade desta sexta-feira (28).

Para ele, a prefeitura tem sim que revisar as gratuidades. Cappellari acredita que a figura do cobrador é dispensável quando se dispõe dos atuais modelos tecnológicos. Também entende que passageiros entre 60 e 64 anos podem pagar a passagem — outra proposta encaminhada nesta semana pela prefeitura à Câmara de Vereadores.

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A avaliação é questionada pelo atual diretor-presidente da EPTC. Segundo Marcelo Soletti, o primeiro prejuízo registrado pela Carris foi exatamente em 2011, quando a segunda passagem passou a ser gratuita.

— Se imaginou na época que se traria mais passageiros ao sistema. Isso não ocorreu. Estamos enfrentando um caos no transporte público. As empresas de lotação e ônibus estão quebradas. Estamos enfrentando um colapso financeiro e o prefeito Marchezan está enfrentando o problema — respondeu Soletti, também no Gaúcha Atualidade.

Segundo ele, a isenção na segunda passagem é a que mais impacta na tarifa e, se não forem tomadas medidas, em fevereiro, quando houver o reajuste do preço da passagem de ônibus, a nova tarifa ficará "totalmente inviável". Soletti promete que a prefeitura está trabalhando em aprimorar o transporte público e que isso ficará evidente quando houver o próximo reajuste na tarifa.

Um decreto da prefeitura de Porto Alegre da última quinta-feira determina o fim desta gratuidade. Apenas estudantes seguirão tendo direito ao benefício. Os demais usuários pagarão R$ 2,02 na segunda viagem, metade do valor da passagem integral. As mudanças devem ocorrer em 30 dias. Segundo a prefeitura, a isenção que mais pesa no reajuste é a segunda passagem gratuita, que corresponde a R$ 0,51 na tarifa. Ao todo, 13% do total de usuários utilizam esse benefício — cerca de 3 milhões de viagens por mês.

Ouça a entrevista de Vanderlei Capellari: 

Ouça a entrevista de Marcelo Soletti:


 
 
 
 
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