Trânsito

Plano de Mobilidade vai definir prioridades do transporte em Porto Alegre

Além de servir como espécie de plano diretor dos transportes, trabalho será exigido pela União para cidades se candidatarem a recursos federais

11/08/2017 - 18h46min | Atualizada em 11/08/2017 - 18h46min
Plano de Mobilidade vai definir prioridades do transporte em Porto Alegre Jefferson Botega/Agencia RBS
Foto: Jefferson Botega / Agencia RBS  

Com prazo para ser apresentado até abril de 2018, a prefeitura de Porto Alegre trabalha para aprontar seu Plano de Mobilidade Urbana.

O estudo é uma exigência do governo federal para todos os municípios brasileiros com mais de 20 mil habitantes e deve trazer as diretrizes básicas que vão nortear os investimentos em mobilidade. Uma primeira versão chegou a ser enviada à Câmara de Vereadores em 2015, mas não chegou a ser apreciada em plenário. Com a mudança de gestão, a nova administração municipal pretende finalizar nos próximos meses um novo documento.

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Esse trabalho, além de servir como uma espécie de plano diretor dos transportes, será exigido pela União para as cidades se candidatarem a recursos federais para o setor. Porto Alegre pretende utilizar esse conjunto de diretrizes ainda para evitar as frequentes mudanças de rumo nas propostas de mobilidade ocorridas nas últimas três décadas — período em que o BRT e o metrô disputaram prioridade, sofreram alterações de projeto e acabaram perdendo fôlego.

O gerente de Planejamento Estratégico de Transportes da EPTC, Luís Ribeiro, acredita que a aprovação do plano permitirá inverter a lógica que marcou as tentativas de melhorar a circulação na cidade.

— Até agora, normalmente se pensava em projetos. Sem verba, o projeto morria. Agora, a ideia é ter um plano, para depois desenvolver os projetos com base nos recursos disponíveis — afirma Ribeiro.

Entre as linhas gerais que o plano deverá ter estão a valorização do transporte público e a integração com os municípios vizinhos. Essa integração deve ser levada em consideração ao elaborar as rotas de ônibus, por exemplo, evitando que uma linha municipal siga o mesmo trajeto que uma linha intermunicipal. Outro ponto será a busca conjunta por recursos para implementar projetos integrados.

Para tirar o BRT do papel, porém, a ideia ainda será apostar nas Parcerias Público-Privadas (PPPs) — abrindo concessões para a iniciativa privada explorar comercialmente os terminais de ônibus como se fossem pequenos shoppings.

— As PPPs ainda são uma incógnita. É uma solução cada vez mais usada no mundo, mas, no Brasil, poderia atrair investidores apenas se o sistema for muito bem estruturado. Não tenho observado muito isso (no país) — analisa o professor da UFRGS e ex-diretor-presidente da EPTC Luiz Afonso dos Santos Senna.

As PPPs já foram apontadas como solução para destravar os BRTs quando a ideia surgiu, há uma década e, mais recentemente, para tentar manter vivo o sonho do metrô. Até o momento, não foram capazes de injetar dinheiro nas vias cada vez mais congestionadas da Capital.

 
 
 
 
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