Pelo futuro do bairro

Movimento debate melhorias para a Cidade Baixa em encontro com moradores e frequentadores

Sugestões do encontro serão levadas à reunião com o presidente da Câmara de Vereadores, Cássio Trogildo

Por: Bruna Porciúncula
09/09/2017 - 17h43min | Atualizada em 10/09/2017 - 15h43min
Movimento debate melhorias para a Cidade Baixa em encontro com moradores e frequentadores Lauro Alves/Agencia RBS
Foto: Lauro Alves / Agencia RBS  

O feriado marcado no calendário não demoveu o Movimento Viva Cidade Baixa, criado recentemente por moradores, frequentadores e comerciantes do bairro, de promover, neste sábado (9), o 1º Diálogo pela Cidade Baixa, na Praça Garibaldi.

É que o próprio calendário deu urgência ao encontro: nesta segunda-feira (11), o grupo deve se reunir com o presidente da Câmara de Vereadores, Cássio Trogildo (PTB), para entregar um abaixo-assinado contra a proposta do Ministério Público Estadual, que sugeriu à prefeitura de Porto Alegre alteração no horário de funcionamento de bares e casas noturnas do bairro. A iniciativa já conta com mais de 4 mil assinaturas de apoio.

Ao vereador, também será entregue a carta pública do movimento com as principais sugestões para o enfrentamento dos problemas na Cidade Baixa, especialmente aqueles que colocam a vocação boêmia do bairro em confronto com moradores que se dizem incomodados com a movimentação.

Carta pública foi exposta no encontro para conhecimento dos que passavam por aliFoto: Lauro Alves / Agencia RBS

Leia também:
Como vivem três artistas de rua em Porto Alegre
Câmara aprova projeto que possibilita aluguel de bicicletas com o cartão TRI

O debate na Praça Garibaldi reuniu cerca de 20 pessoas e buscou, a partir da troca de ideias, definir os principais anseios da comunidade e apontar medidas que melhorem a convivência sem comprometer a cultura do bairro. O Viva Cidade Baixa não entende que a alteração do horário dos bares seja solução para questões de segurança na região. Pelo contrário.

O grupo acredita que é a movimentação noturna provocada pelas casas noturnas que garante certa tranquilidade em circular por ali até mais tarde, mas reconhece que há muito a melhorar, como limpeza e policiamento. O que espera buscar do poder público é mais rigor na fiscalização para a venda de bebidas alcoólicas a menores e na ação de traficantes pelas ruas. Uma das sugestões foi pensar na organização de um patrulhamento comunitário, aos moldes de iniciativas que já ocorrem em outros lugares.

– Não queremos que acabem com a cultura da Cidade baixa, porque aqui é um bairro com vocação para isso. E eu gosto do bairro por isso. Mas tem de ter fiscalização – ponderou o advogado Gustavo Bernardes, um dos idealizadores do movimento.

Durante o encontro, os moradores também reforçaram que é preciso buscar mais adesão da comunidade para que as ações no bairro realmente sejam amplamente discutidas. Alguns citaram os bairros Menino Deus e Bom Fim como exemplos de como o fim da vida cultural noturna impôs, segundo os participantes, uma rotina de mais insegurança aos moradores desses locais. "Moro no Menino Deus e, de noite, não dá para andar", comentou um dos presentes. A especulação imobiliária também foi ponto discutido, e os debatedores prometem se mobilizar para que a paisagem da Cidade Baixa não seja modificada por grandes prédios e condomínios fechados.

O encontro na Câmara de Vereadores será às 9h de segunda-feira. O movimento planeja organizar novos debates públicos para engajar a população na resolução de problemas do bairro.

 
 
 
 
Zero Hora No jornal Zero Hora você encontra as últimas notícias sobre esportes, economia, política, moda, cultura, colunistas e mais.