Porto Alegre

Transplantados cardíacos participam de jogo para divulgar a importância de doar órgãos 

Partida de futsal ocorreu na manhã deste sábado, em atividade alusiva aos 50 anos do Instituto de Cardiologia

Por: Jéssica Rebeca Weber
24/09/2016 - 14h01min | Atualizada em 25/09/2016 - 16h42min

Tratados como estrelas, um grupo de amadores disputou um jogo festivo no ginásio do SESC Petrópolis, em Porto Alegre, na manhã deste sábado. Eles não mandaram mal com a bola no pé, mas o exemplo que queriam dar era outro.

— Fizemos uma demonstração de que o transplante e a campanha de doação de órgãos podem dar certo — diz Filipe Nunes, 18 anos, um dos onze transplantados cardíacos que participaram da partida.

A ação abriu um torneio comemorativo aos 50 anos do Instituto de Cardiologia e lembrou também o Dia Nacional da Doação de Órgãos e Tecidos, que será celebrado na próxima terça-feira, 27 de setembro. Os transplantados fizeram dois times: Bate Coração e Coração Valente. O placar ficou 3x2 para o primeiro, ao final dos dez minutos de jogo, mas ninguém saiu da quadra de cara fechada.

Leia mais:
Postos de saúde estarão abertos neste sábado para vacinação 
Operador de caldeira em hospital cria brinquedos para alegrar crianças internadas

— Foi divertido — sintetiza Filipe, que, 14 anos depois do transplante, trabalha como técnico em enfermagem no Instituto.

O incumbido pelo kick-off foi o professor aposentado João Carlos Cechella, 63 anos, o mais longevo receptor de coração do Estado. Há 27 anos, ele fez o transplante que lhe assegurou a vida e também devolveu sua maior paixão: o esporte.

— Eu cheguei a ser campeão estadual de natação em 1967, mas a doença evoluiu a um ponto que eu não tinha mais condições de fazer atividade física. Um ano depois da cirurgia, eu voltei a dar aulas de Educação Física, a praticar basquete, futebol. Hoje a carcaça está velha, mas sigo fazendo caminhada e natação leve — diz Cechella.

Garoto propaganda convicto na divulgação da importância da doação de órgãos, ele não deixa que o nome do seu doador, o seu "anjo da guarda", seja esquecido, e se mostra muito grato por um outro presente que a cirurgia lhe trouxe:

— A filha do doador virou minha filha do coração. Cheguei a entrar com ela na Igreja para seu casamento em 2007.

Na arquibancada, o técnico em enfermagem Eliezer Vieira, 31 anos, também curtiu a iniciativa.

— Esse jogo lembra que a morte não precisa ser o fim de tudo. A gente pode estar salvando outras vidas através de uma boa iniciativa que é a doação de órgãos — disse.

Para ser doador de órgãos, é fundamental comunicar o desejo à família. 

Foto: Carlos Macedo / Agencia RBS

Leia mais notícias de ZH Pelas Ruas

 
 
 
Zero Hora No jornal Zero Hora você encontra as últimas notícias sobre esportes, economia, política, moda, cultura, colunistas e mais.