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Bancada de computador integrada a móveis de funções múltiplas

Para driblar o pouco espaço disponível nos imóveis, peças curingas são criadas para atender às diferentes soluções

19/10/2016 - 00h05min | Atualizada em 19/10/2016 - 00h05min

Espaços pequenos exigem propostas integradas. Principalmente quando em um mesmo cômodo as funções parecem multiplicar-se.

Foto: Marcelo Donadussi / Divulgação

Este dormitório de uma jovem universitária é um exemplo. Além das peças fundamentais – leia-se cama e guarda-roupa –, a moradora queria uma bancada para o computador e tinha o sonho de ter uma penteadeira romântica. Como empecilho para a distribuição dos móveis, a mãe não queria trocar o armário, em ótimo estado.

– Foi quando bateu o pânico – brincou a arquiteta Ligia Piccini, do escritório Kali Arquitetura, que assina o projeto de interiores.

Sem muitas possibilidades de paredes a serem trabalhadas, a profissional encostou a cama na janela e, com os centímetros que ganhou em uma das laterais, posicionou a bancada do computador. Este volume está fixado no painel que compõe a cabeceira da cama e fica a poucos centímetros do colchão, permitindo um caimento tradicional da colcha.

Foto: Marcelo Donadussi / Divulgação

A apenas 90cm de distância, foi posicionada a penteadeira, com 50cm de profundidade. Para ganhar um pouco mais de espaço, o espelho com desenhos de inspiração veneziana é preso diretamente na parede. Para os dois móveis, a arquiteta sugeriu uma melamina em tom nude.

– Mantivemos o parquê original do apartamento e o papel de parede também tem uma estampa suave. Manter as demais superfícies lisas foi importante para o equilíbrio – explicou Ligia.

Apesar da dor de cabeça inicial, o armário também ganhou atenção: foi pintado de branco, os puxadores são novos e duas portas estão revestidas por espelhos.

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CIRCULAÇÃO EFICIENTE

Tampos desencontrados: para evitar que o espaço entre as duas bancadas ficasse muito estreito, a profissional instalou os móveis de forma desencontrada. Assim, garantiu um espaço de 90cm entre eles, o que permite que a jovem use o computador e alguém passe em direção ao guarda-roupa, por exemplo.

Ergonomia: para que o criado-mudo estilizado, com 1m30cm por 50cm, ficasse instalado com uma altura confortável aos ombros, a cama subiu 10cm, passando para um total de 75cm de altura – semelhante às bancadas de home office tradicionais.

Abaixo aos fios: a bancada foi fixada em um painel de parede branco, também usado como cabeceira da cama. A distância de 10cm entre a parede e esta estrutura de marcenaria também é usada para esconder a fiação.

SALA E HOME OFFICE EM 13 METROS QUADRADOS

Foto: Marcelo Donadussi / Divulgação

A sala deste apartamento no bairro Rio Branco é um pouco maior do que um quarto. Nos 13 metros quadrados de área, além do recanto de estar, a moradora tinha uma mesa de jantar tradicional, também usada para horas extras do trabalho no notebook.

Além de dificultar a circulação entre os espaços – ficava centralizada próxima à porta –, a relação de altura entre o tampo da mesa e as cadeiras não favoreciam a postura da usuária.

– Outro fator rotineiro que incomodava era o momento de trocar a função da mesa. Retirar todos os papéis e livros para fazer uma refeição não era prático – relembra a arquiteta Ligia Piccini.

Foto: Marcelo Donadussi / Divulgação

Como o imóvel é alugado, a cliente não queria fazer obra nem investir em peças que talvez não tenham uso caso mude de endereço futuramente. Assim, a profissional aproveitou pontos de luz preexistentes e escolheu a parede que não tinha janela para desenhar um volume de marcenaria com tampo de 40cm de profundidade, para comportar a TV. Em composição com a parede branca, a melamina usada também é alva e apenas o detalhamento e duas portas baixas são na versão amadeirada.

Na lateral da TV, um módulo de 1m10cm x 40cm com rodízios é usado como bancada do computador. Outro idêntico fica na parede oposta, e faz o papel de aparador. A maior parte do tempo, as peças ficam separadas, garantindo um vão livre que ajuda na sensação de amplitude.

– Quando ela precisa da mesa de jantar, basta subir o notebook para a bancada branca e juntar os dois módulos pretos. A cadeira do computador e uma usada próxima a TV servem de apoio – explica Lidia.

PRATICIDADE À MESA

Atenção para as alturas: o volume de marcenaria da TV, com 3m de comprimento, tem 90cm de altura no tampo, considerada ideal para assistir a televisão da distância do encosto do sofá (que está a aproximadamente 2m30cm do final do tampo). Para o computador, porém, o mais indicado é 75cm de altura. Por isso, Ligia projetou uma segunda bancada com rodízios, que fica encaixada.

Módulos gêmeos: o aparador e o móvel usado com o notebook têm medidas de 1m10cm x 40cm. Juntos, na versão mesa de jantar, ganham a medida ideal para acomodar quatro pessoas.

Resistência dos materiais: a melamina foi eleita devido a sua resistência. Segundo a arquiteta, quanto mais texturas, mais livre de futuros riscos e marcas do uso intenso.

DICAS GERAIS

Iluminação: normalmente a luz geral do ambiente não é suficiente para um espaço que prevê estudo ou trabalho. Sempre escolha a posição da nova bancada próxima a um ponto de luz e invista em abajures.

TV como norteadora: quem quer apenas colocar uma nova mesa na sala para usar o computador, uma proposta bastante usual é prever um espaço atrás do sofá. Em alguns casos é preciso "girar" os móveis preexistentes. Por exemplo: no caso da sala ao lado, seria necessário colocar a TV na parede dos quadros.

Fios escondidos: evite que a mesa fique de frente para quem entra no ambiente, pois fios soltos dão a sensação de bagunça. Nos casos em que a bancada fica encostada na parede, vale fazer um fundo falso de MDF, para ajudar a ocultar a fiação.

 






 
 
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